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A Mulher Acolhedora

A Mulher Acolhedora

As deusas são a representação dos arquétipos femininos. O conceito de arquétipos surgiu em 1919 com o discípulo de Freud, Carl Gustav Jung. Segundo ele, os arquétipos são uma repetição progressiva de geração em geração. São crenças e comportamentos que armazenamos, o famoso Inconsciente Coletivo.

Os Arquétipos são fontes dos nossos padrões emocionais, de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos. Os arquétipos femininos estão muito ligados a tudo o que pensamos e como nos comportamos. Jean Shinoda Bolen dividiu as deusas em três categorias: as virgens, as vulneráveis e as alquímicas. As deusas virgens representam as mulheres que não são “penetráveis”, ou seja, não são dependentes de uma relação com o homem. Três são as deusas virgens: Artemis desperta a mulher esportista, livre, símbolo da sororidade, que é cercada de amigas, caçadora que tem foco e persegue seus objetivos. Já Atena nos revela a mulher que luta com sabedoria, inteligência, que é estrategista, muito reflexiva e é o símbolo daquela mulher justa que procura não julgar o outro. A terceira deusa virgem é Héstia, é irmã de Zeus e é a deusa guardiã do fogo, da pira doméstica, protetora das cidades e do Estado.

A origem da sociedade humana, como a conhecemos atualmente, ocorreu a partir do momento em que o Homem passou a dominar o fogo. O fogo que afugenta todos os animais, se não for em situação de risco, para o homem tem o poder de atração. O fogo que era comum nas lareiras e fogões à lenha dentro das casas aproxima as pessoas, traz aconchego e calor.

O fogo tem seus simbolismos nas mais diversas culturas.Há tribos árabes que acendem as fogueiras e saltam, repetindo o salto sete vezes. Além de julgarem o fogo purificador. No Zoroastrismo, o fogo é um símbolo da sabedoria e luz divinaOs Templos de Fogo mais importantes do Irã e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente. Uma das mais marcantes referências do fogo na Bíblia, trata-se da sua associação à presença Divina na vida do cristão. Logo após a crucificação e ascensão de Cristo aos céus os apóstolos permaneceram reunidos em oração. Naquele momento de intensa devoção todos foram cheios da presença do Espírito Santo que estava manifesto sobre suas cabeças como pequenas labaredas de fogo (ver Atos dos Apóstolos 02: 2-4)

Héstia é a mais velha de todos os deuses do Olimpo. Irmã de Zeus. Héstia é uma mulher que simplesmente “é”. Uma mulher que não está ligada às questões materiais e que é conhecida pela sua “simplicidade”. Introspectiva, Héstia é uma mulher que se completa dentro de si, que é inteira e “centrada”. De poucas ações, é mais reconhecida pelas suas virtudes: leveza, suavidade, tolerância, serenidade, dignidade, calma, segurança, estabilidade, acolhimento e equilíbrio. Héstia tem a consciência focada para seu próprio interior, portanto, mais subjetiva. Ela é o arquétipo da mulher que valoriza o lar, que aprecia tomar conta de casa. Gosta de fazer as tarefas domésticas para agradar a si mesma. Héstia é a mulher quieta, reservada, calma, introvertida e aprecia a solidão, a sua companhia.

O processo de Coaching é em si um processo de autoconhecimento, de uma viagem interior e de um despertar do que está no inconsciente. Despertar Hestia é despertar a mulher acolhedora, que aquece corações com seu calor, é ser aquela que ouve com atenção e dá o seu colo para que o outro nele repouse. A mulher Hestia é a mulher que cuida do ambiente, que o torna agradável e confortável. Portanto, para despertar Hestia, sugiro que você:

  1. Adote uma prática de meditação diária;
  2. Limpe sua casa, sua estação de trabalho, seu carro criando ambientes de harmonia;
  3. Pratique o ouvir paciente. Ouça as pessoas, ouça seu coração, ouça suas intuições;
  4. Aqueça o seu lar com uma vela, uma lareira, uma boa música, uma comida ou uma bebida quentinha´;
  5. Ofereça seu ombro amigo a quem precisar.
Perséfone, Frida Khalo e o Abissal Caminho Do Autoconhecimento

Perséfone, Frida Khalo e o Abissal Caminho Do Autoconhecimento

Recentemente, assisti ao monólogo “Frida Kahlo, a deusa tehuana” com a atriz Rose Genaro, sob a direção de Luis Antonio Rocha. Uma obra inspirada na vida da artista mexicana que sofreu de poliomielite e aos 18 anos teve uma barra de ferra penetrada no seu corpo, num acidente com um ônibus. Frida se casa com Diego Rivera com quem tem uma relação de idas e vindas. Ambos vivem outros casos de amor e Frida tem como um de seus amantes o russo Trotsky que vai ao México fugindo de Stalin. Fisicamente debilitada e sentindo fortes dores, Frida é uma mulher que vive uma profunda dor da alma. Seu amor por Diego a faz ir ao que há de mais profundo, ao abissal. Imersa na sua dor, Frida produz uma obra marcada, sobretudo pelos autorretratos.

Perséfone é a deusa da agricultura da mitologia grega, mas é também conhecida como a rainha das trevas. Raptada por Hades, o senhor dos mortos, é levada para as profundezas. Demeter, a mãe de Perséfone, sofre profundamente ao ser afastada da filha e deixa a terra infértil. Zeus faz um acordo com Demeter para que a terra volte a dar frutos e determina que Hades devolva Perséfone à sua mãe. Hades só aceita na condição de que ela volte para o reino das trevas num determinado período do ano que é o inverno. Sempre que retorna ao Olimpo para estar perto de sua mãe chega com ela a primavera. Apesar de ter uma relação conturbada com Hades, Perséfone nutre por Hades um forte amor.

Frida parece ser um exemplo humano do arquétipo de Perséfone. Esta mulher que vai ao fundo do poço. Ambas são levadas por um grande amor e é nas profundezas que ela se permite se conhecer. O inverno de Perséfone é também o símbolo do mergulho em si mesma, do momento em que ela é capaz de fazer uma “viagem” interior e profunda. Perséfone personifica aquela que busca o autoconhecimento e que busca compreender os seus próprios sofrimentos. Mas depois do inverno vem a primavera. Perséfone emerge e a terra fica fértil novamente. Este é o arquétipo que simboliza a mulher que revela os seus mistérios, que dá flor. É o símbolo da mulher que amadurece e dá fertilidade. É também o da intuição.

Igualmente, Frida mergulha em suas dores físicas, seus pensamentos e sentimentos são negativos. No abissal tem que encarar as suas sombras, as trevas e viver o seu inverno. É um caminho necessário na estrada do autoconhecimento e ela pinta seu autoretrato. A nossa inteligência emocional está em sair do inverno para a primavera, em não querer controlar as emoções negativas, mas em reconhecê-las, se necessário, vivê-las e, acima de tudo, em percebê-las e transformá-las. É estar preparada para a beleza, a fertilidade e a revelação da primavera. Seus quadros são recheados de flores e de cores. Frida sofre a sua infertilidade e a incapacidade de gerar um filho. Numa de suas mais belas obras, ela está amamentando um bebê num seio que é como um buque de flores.

Neste caminho do autoconhecimento, o arquétipo de Perséfone revista não só a vida de Frida Kahlo, mas de todas nós. Despertar nossa Perséfone, é nos permitir ir ao profundo, viver talvez um inverno que nos desafia a trazer à superfície uma mulher madura, que floresce e que deixa frutos. Mesmo que os frutos de Frida nao tenham sido os filhos que ela desejou ter, sua obra é a primavera que desejamos. Um legado nao só pelo acervo de suas pinturas e de seus textos, mas o legado de uma mulher que esteve sempre muito à frente de seu tempo e quiçá à frente dos tempos de hoje.

Despertar Da Consciência – Posso Ser Uma Mulher Mais Racional?

Despertar Da Consciência – Posso Ser Uma Mulher Mais Racional?

Como lhes prometi inicialmente, vamos falar sobre os arquétipos femininos representados pelas 7 deusas do Olimpo e através delas nos reconhecermos e nos descobrirmos.

Atena que é filha de Zeus, o deus de todos os deuses, e não conheceu sua mãe, Métis. Segundo a mitologia grega, Atena nasceu da cabeça de Zeus e, por isso, ja nasceu adulta. Atena é a deusa da sabedoria e das artes. É também o símbolo da guerra. Mas é uma mulher que luta com as armas da inteligência e da estratégia. As mulheres tipo Atenas são lógicas, estrategistas, racionais, práticas, desinibidas, seguras, não se deixam levar por emoções e sentimentos.

Despertar Atenas em nós é um caminho para o despertar da consciência. É desenvolvermos a nossa capacidade de agirmos menos com as emoções e mais com a razão. A mulher de Atenas é a mulher quem tem uma enorme habilidade de conseguir o que quer (de vencer a guerra) com sabedoria e usando as melhores estratégias. E o processo de autoconhecimento e autoestima está exatamente na nossa capacidade de reconhecermos as nossas emoções e controlar os nossos sentimentos. Atena é a mulher guerreira que equilibra a sua força com inteligência lógica, diplomacia e estratégias mais racionais e práticas que não a deixam ser levada por tempestivas emoções ou sentimentos que a prejudiquem.

Artemis, a deusa caçadora nos fez pensar sobre a importância de ter foco, de saber onde queremos chegar e como atingirmos nossos alvos. Mas e ai? Só querer, só planejar não basta. Precisamos saber como fazer. Qual a melhor estratégia usar. Por exemplo, se você estiver querendo se desligar, cortar relações com alguém, qual a melhor estratégia? Será que é promovendo uma “guerra”, uma briga, ou usando uma estratégia mais inteligente de forma que você não se desgaste e também não ganhe um inimigo? Como é que você deve fazer isso? Qual a melhor hora? Qual o tom de voz? Você já pensou que as pessoas que tomam decisões mais racionais saem menos machucadas e, consequentemente, machucam menos as outras pessoas também? Quando agimos movidos por fortes emoções ou somos muito intempestivas, em geral, o resultado é desastroso, seja na área pessoal ou profissional.

Para despertar a Atena em você e se tornar essa mulher mais sábia, te desafio hoje a aprender alguma coisa nova. Não importa o que seja. Leia uma matéria no jornal de um assunto que não domina muito ou não gosta; assista a um vídeo de uma palestra (o TED TALK tem palestras bem curtinhas com os temas mais diversos possíveis); comece a ler um livro; converse com alguém que nunca conversou ou converse com alguém mais velho, peça que lhe fale alguma coisa sobre a vida. Sei lá… o desafio é seu. Mas faça alguma coisa hoje que vá lhe deixar com a sensação de que está mais sábia, que aprendeu alguma coisa nova.

Tire um tempinho e pense na melhor estratégia que deve traçar para alcançar o que quer. Por exemplo, se quer comprar um carro, qual a melhor estratégia? Poupar ou fazer um financiamento? Se for poupar, quanto deve poupar por mês, por quanto tempo ira poupar, onde vai aplicar seu dinheiro, etc? Se for financiamento, onde vai financiar, quanto vai financiar, quanto vai pagar por mês, como vai arrumar o dinheiro para as mensalidades, etc. Use a ferramenta dos 5Ws 2Hs, pergunte sempre O que, onde, como, quando, quem (com quem ou para quem), quanto vai me custar, por que?

Atena é também a deusa da justiça, mas pode ser muito racional e muitas vezes fria e calculista. O desafio é equilibrar esse senso de justiça com uma dose de mais sensibilidade à dor do outro. O que nos diferencia dos animais irracionais é exatamente a nossa capacidade de poder pensar, refletir e racionalizar. Mas, estamos sempre num processo de amadurecimento e de crescimento, não é mesmo?

Muitas vezes, nós queremos que as pessoas sejam como a gente. Queremos que as pessoas pensem, ajam, falem como nós e que gostem das mesmas coisas que gostamos. Pior ainda é quando não somos capazes de entender que o outro tem uma historia, valores, experiências diferentes das nossas e julgamos o tempo todo.

Quando julgamos é como se estivéssemos apontando o dedo para o outro, vendo nele ou nela vários defeitos. Mas é também como se estivemos nos colocando acima do bem e do mal e acreditando que não temos defeitos. Mas esquecemos que quando apontamos um dedo para o outro, ha três apontados para nós e um apontado para cima.

Fala verdade se você não já fica muito chateada quando alguém lhe julga? Desenvolver mais empatia, ou seja, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de termos mais compaixão e de não julgar é mais um dos exercícios diários que precisamos fazer se queremos nos sentir melhores e se queremos melhorar as nossas relações, sejam elas com quem for.

Desejo que você desperte ainda mais o seu senso de justiça, a força dessa mulher guerreira que age com inteligência, usando sempre as “armas” da sabedoria e da razão. Que você desperte e descubra a Atena que há em você.

P.S. Se você quiser receber meu ebook gratuitamente:“Como despertar os 7 arquétipos femininos e gerar equilíbrio, transformação e realização pessoal e profissional na sua vida” basta enviar um email para ianefa@yahoo.com.br. Aguardo você!

Demita O Seu Coach

Demita O Seu Coach

“Svend Brinkmann, professor da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, autor do livro “Stand Firm: Resisting the Self-Improvement Craze” (em tradução livre, “Fique firme: Resistindo à mania do autodesenvolvimento”), é crítico ferrenho da psicologia positiva e da crença de que a felicidade é uma escolha”.

Essa é a introdução da matéria da exame.com intitulada “Por que este professor quer que você demita seu Coach”. A entrevista apresenta a opinião do professor e pontos que valem uma ampla reflexão. A começar pelo titulo, há que se especular as razões que levariam o coachee a demitir seu coach. Obviamente, que num primeiro momento, podemos pensar até que porque a remuneração do coach é alta. Mas, esta não é uma razão sequer cogitada na entrevista. Então, quais seriam as razões?

De acordo com a matéria, “o professor afirma que parte da indústria da autoajuda só contribui para reforçar o problema que ela própria diz combater: a infelicidade causada pelo individualismo e pelo desinteresse em soluções coletivas.” Para o professor, um processo de autoconhecimento e de autodesenvolvimento levam as pessoas para o caminho do individualismo e do egoísmo.

Particularmente, tenho uma certa dificuldade e diria ate resistência com a maioria dos livros de autoajuda porque todos seguem um “gênero” muito particular que é similar a um livro de receitas e de fórmulas milagrosas até porque o próprio termo auto(self) está relacionado a si próprio. Assim, teoricamente, um livro de autoajuda seria algo impossível de ser lido ou capaz de ajudar qualquer outro que não fosse o próprio autor. Mas o tema central da entrevista é a felicidade e a forma como ela é abordada.

Ao ler a entrevista, fico pensando o quanto vários autores, filósofos, escritores e pessoas comuns têm se incomodado e tentado negar a possibilidade de uma verdadeira “felicidade”. Me parece que há uma corrente de pensamento que banaliza a felicidade e ridiculariza as pessoas que se dizem felizes. Se eu me declaro ou demonstro ser feliz, alem de incomodar profundamente as pessoas, passo sempre por ridícula ou boba-alegre e consigo ver até uma interrogação estampada nos rostos das pessoas que questionam: como ela pode ser tão feliz? Ora, vivemos a era dos antidepressivos e ansiolíticos. Para as pessoas que são extremamente tristes ou ansiosas há sempre uma droga que lhes ajuda a controlar os sintomas. Fico imaginando que em breve irão inventar uma droga para as pessoas que são felizes que deve ser um “antifelicidade”.

A grande confusão, ao meu ver, parece estar no fato de a maioria das pessoas, inclusive filósofos, autores, escritores, etc, associarem a felicidade à ausência de problemas. Se fosse assim, todas as pessoas ricas e bem-sucedidas seriam felizes e as pobres de recursos financeiros um poço de infelicidade. Mas, não é bem assim. Não é raro ver estampado nos rostos de pessoas muito pobres sorrisos largos como também não é raro ver os hospitais e clinicas psiquiátricas com seus estacionamentos lotados de carrões importados e madames e colarinhos brancos nas suas recepções. Sendo assim, como não acreditar que a felicidade não possa ser encontrada numa viagem pelo autoconhecimento e autodesenvolvimento? Como não acreditar que é uma escolha individual e até uma questão genética?

O professor também defende que as pessoas que passam por um processo de autodesenvolvimento para se tornarem mais felizes não têm interesses pela coletividade. Em Marcos 12:31, um dos mais conhecido parágrafos da bíblia, diz: “amará a teu próximo como a ti mesmo”, um clássico pensamento de que para amar ao próximo é preciso primeiro amar a ti mesmo. E como amar a ti mesmo sem se conhecer? O aforismo “Conheça a ti mesmo” que é em muitas biografias atribuído a Sócrates, mas que também pode ser de Thales de Mileto, Eráclito ou Pitágoras, é um pensamento filosófico que está ligado ao autoconhecimento que tem como complemento “e conhecerás os deuses e o universo, tornando ainda mais nobre a arte do autoconhecimento que nos faz aproximar até dos deuses”.

Vários estudos da área de psicologia têm demonstrado a importância da autoestima nas relações interpessoais. Ao que tudo indica, as pessoas com autoestima mais elevada tendem a ter melhor qualidade nas suas relações sociais e afetivas. O que vai totalmente contra a teoria do mencionado professor dinamarquês de que as pessoas que buscam e passam por um processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento são menos preocupadas com o coletivo. Ele defende que as pessoas deveriam ser mais preocupadas com o coletivo em primeiro lugar mesmo que abdiquem de si mesmas. Ele cita o exemplo das máscaras em caso de despressurização no avião e defende que antes de colocar sua máscara as pessoas deveriam olhar se o piloto está na cabine do avião. Fico aqui imaginando o caos que seria se ao invés de colocarem as suas máscaras, todos os passageiros fizessem um esforço coletivo e invadissem a cabine para pilotar o avião.

Na minha modesta opinião, mas ja com uma prática como coach e uma história de vida que me obrigou a fazer um profundo trabalho de autoajuda, de autoconhecimento e de autodesenvolvimento quando me vi diante do diagnóstico de uma doença grave e incurável que é a Esclerose Múltipla, vejo uma sucessão de equívocos e sou obrigada a discordar de quase a totalidade do pensamento de Svend Brinkmann. Foi a partir de atividades e exercícios que me ajudam a me manter mais saudável e a elevar minha autoestima que consegui desenvolver trabalhos de ajuda a outras pessoas e a grupos. Não são raros os casos de pessoas que conheço que por estarem mais maduras, mais autoconfiantes e mais seguras consigo mesmas conseguem ajudar e desenvolver trabalhos para o coletivo maravilhosos.

O professor continua suas criticas à psicologia positiva, ao “mindfullness” ou “atenção plena” e deve ser critico também à meditação. Os estudos da neurociências e da psicologia têm revelado que as pessoas pensam o tempo todo, ou seja, o cérebro não silencia nem mesmo durante as práticas de meditação. O fato é que os pensamentos que mais ocupam o cérebro e, consequentemente, o dia das pessoas, são os pensamentos negativos, que acabam levando a ansiedade, depressão, pânico, etc. O medo e a insegurança das pessoas é infinitamente maior do que a real probabilidade de uma catástrofe ou “desgraça” acontecer. Entretanto, estudiosos de física quântica preconizam que somos um campo enérgico capaz de atrairmos e cocriarmos a realidade. Assim, o que pensamos, acreditamos e falamos é de alguma forma enviado para o Universo que, na maioria das vezes, diz sim. Pelo sim, pelo não, melhor seria então que trabalhemos as nossas mentes para que ocupemos o nosso cérebro com pensamentos positivos, não é verdade?

O psicólogo inglês, Guy Winch, afirma que precisamos praticar o que ele chama de “higiene emocional” diariamente assim como escovamos os dentes e tomamos banho. Para ele, no que diz respeito às emoções tendemos a não praticar os primeiros socorros como acontece quando nos machucamos. Ao invés de estancarmos as feridas como fazemos fisicamente, quando se trata de feridas emocionais costumamos cutucá-las e dilacerá-las cada vez mais.

Para o professor dinamarquês, as pessoas que pensam em si não são capazes de pensar no coletivo. Minha questão é, como me dizer preocupada com o coletivo se não penso e não me preocupo comigo? Se estou emocionalmente dilacerada não há, a meu ver, a menor possibilidade de ajudar quem quer que seja. Ele diz que o trabalho de Coaching tem a raiz na competitividade esportiva o que me parece uma distorção e um equívoco no seu modo de entender até mesmo a definição de coach. O coach, enquanto técnico ou profissional de liderança de algum esporte, é aquele que muitas vezes, no caso de esportes coletivos, tem que trabalhar focado no resultado coletivo sem momento algum perder a atenção e o cuidado de seu trabalho com cada indivíduo e suas peculiaridades. No caso do futebol, por exemplo, o coach de um time é aquele que precisa potencializar as virtudes do indivíduo. Não dá para desenvolver um trabalho coletivo e treinar todos os jogadores para serem goleiros, por exemplo. A coletividade assim como os estudos de equipes de alta performance mais do que comprovam que é do autodesenvolvimento do indivíduo, cada qual com suas peculiaridades que se chega a resultados altamente satisfatórios para o coletivo e para o indivíduo.

Finalmente, quero ressaltar aqui que um estudo realizado com o monge budista, Matthieu Ricard, por neurocientistas e pesquisadores da Universidade de Wisconsin nos EUA, declara o homem mais feliz do mundo e atribui isso às suas práticas de meditação. Matthieu é PhD em genética e se converteu ao budismo. Ele desenvolve vários projetos humanitários o que reforça a tese de que passar por um intenso e regular processo de autoajuda, de autodesenvolvimento com práticas diárias de meditação não o transformou numa pessoa mais egoísta. Muito pelo contrário, a sua felicidade está também ligada à sua alta compaixão, amor pelo próximo e altruísmo.

Por ser mãe de dois filhos, divorciada e portadora de Esclerose Múltipla seguirei firme nas minhas práticas de autoconhecimento, autoajuda e autodesenvolvimento porque são elas que têm me mantido saudável física, mental e emocionalmente. Como coach, palestrante e professora peço aos meus coachees e clientes que não me demitam, mas que me permitam trabalhar às suas individualidades para que juntos possamos servir à coletividade. Não tenho a menor dúvida de que as pessoas realizadas, felizes e bem sucedidas são aquelas que estão bem consigo mesmas em primeiro lugar, mas tendo sempre o segundo lugar para servir ao outro.

Você Está Com Seu Arco E Flecha Prontos Para Acertar Os Seus Alvos?

Você Está Com Seu Arco E Flecha Prontos Para Acertar Os Seus Alvos?

A deusa Artemis é a deusa da mitologia, símbolo da mulher caçadora. Ela era filha de Zeus, o maior e mais poderoso de todos os deuses do Olimpo, e de Leto, conhecida como a deusa do anoitecer, da maternidade e protetora das crianças. Ainda criança, Artemis ganhou de seu pai Zeus um arco e as flechas. Foi conhecida como a melhor caçadora entre deuses e mortais. Sempre que é representada está carregando seu arco e as flechas. Pronta para perseguir os seus alvos. E você tem foco? Você tem metas e objetivos definidos? Sabe exatamente qual é o seu alvo? Sabe qual o caminho que deve tomar?

Por que devemos ter metas, objetivos e foco na vida? Dados de seguradoras apontam que 70% das pessoas que se aposentam morrem, em média 2 anos depois, quando não encontram uma atividade produtiva. Uma contribuição da neurociência sobre metas e objetivos está ligada ao que os neurocitentistas chamam de Atenção Focada, ou seja, ao fato de que o nosso cérebro precisa de uma espécie de “bússola” para se orientar. Viver o presente é importante, mas ter projetos de vida e a perspectiva de futuro melhor ativa um outro sistema do cérebro chamado Sistema de Recompensa que é o grande responsável pela motivação.

Quando vivemos muito focados no passado e não percebemos perspectivas no futuro, nem conseguimos dar sentido ao nosso presente, desenvolvemos doenças como melancolia ou depressão. Assim, o passado domina nossas atividades mentais e nossas emoções. Desejamos o tempo todo reviver ou reencontrar aquilo que ja passou e nunca mais voltará. Ao contrário, quando vivemos excessivamente focados no futuro, corremos o risco de desenvolver uma síndrome de ansiedade que pode desencadear problemas psíquicos e físicos graves como síndrome do pânico, taquicardia e até enfarto.

Gosto muito da metáfora do veículo porque imagino que nossas vidas deveriam ser guiadas como guiamos um carro. Você é quem está na direção. Se vai fazer uma viagem deve se preocupar com todas as condições do aqui e agora. Deve fazer a revisão, verificar os pneus, definir a melhor rota. Quando pega no volante, ajusta o espelho retrovisor e, de tempos e tempos, olha nele, principalmente quando vai fazer uma ultrapassagem. O espelho retrovisor simboliza o nosso passado. Ele deverá estar sempre ali, mas não é maior que o carro e nem maior que o vidro dianteiro. Quando desejo tomar alguma decisão (ou seja, fazer uma ultrapassagem, por exemplo), ele me indica se devo ou não ir, baseado nas experiências que acumulei. Já o vidro dianteiro é muito maior. É importante que me mostre com mais clareza o caminho. Sei que tenho um destino, mas não consigo ver o fim da viagem. Para que chegue com segurança, enxergo partes da estrada. O seu destino é o seu objetivo final, a sua meta é chegar ao seu destino com segurança e no menor tempo possível. Se a viagem for longa, você sabe que terá que fazer várias paradas. Terá que parar para abastecer, para se alimentar, para esticar as pernas e evitar uma trombose, para fazer xixi… Assim também devem ser as nossa metas. Quanto maior e mais longo for o prazo do seu objetivo, você precisará definir os objetivos de curtíssimo, curto e médio prazos.

E aí, você topa o desafio de tomar a direção da sua vida ou vai deixar alguém lhe conduzir por um caminho que você nem sabe bem qual é?

Bora despertar esta Artemis Caçadora em você.