por Cris Ferreira | out 25, 2016 | Artigos
Nós, mulheres, somos a mola propulsora para o Futuro Global Sustentável e somos diferentes dos homens. Se desejamos progredir, avançar e impulsionar uma sociedade a verdadeiras mudanças e evolução, não me interessa falar em igualdade de gênero, mas sim em igualdade de DIREITOS HUMANOS, respeitadas as diferenças de gênero. Assim o Paragrafo 1 do artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reza que “Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Então, não há que se falar em igualdade de gênero, uma vez que homens e mulheres jamais serão iguais, respeitadas as suas diferenças. Se a questão é semântica, sugiro que mudemos o termo para ISONOMIA DE GÊNERO. ”Isonomia é o princípio de que todas as pessoas são regidas pelas mesmas regras, da condição de igualdade. Enquanto princípio jurídico, é a igualdade entre todos os cidadãos, independentemente de classe, raça, gênero, opção religiosa ou política, etc …” Fonte: https://www.significados.com.br/?s=isonomia
É isso mesmo que quero dizer. Não se assuste e fique à vontade para discordar, mas antes gostaria que refletisse comigo sobre algumas questões e sobre empoderamento feminino. A primeira vez que disse isso e, desde então sempre que repito essa frase, a polêmica está instalada. Entretanto, defendo primeiramente o valor das diferenças de gênero. Algumas coisas, a vida vem me ensinando e a minha formação e experiência como Coach têm reforçado os importantes pilares e valores do Coaching. Um dos principais e mais significativos é o respeito às diferenças.
Primeiro, quero deixar claro que sou feminista, sim, e, por isso, venho refletir sobre o valor semântico de “Igualdade de gênero” e se igualdade, que pressupõe ausência de diferença, é a palavra mais adequada para o contexto atual. Entre as definições de feminismo, a maioria converge para a de que “Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens”. Observe que o conceito é de Igualdade de DIREITOS. Por outro lado, igualdade de gênero pressupõe que homens e mulheres sejam iguais e isso jamais será possível.
Nós, homens e mulheres, independentemente da opção sexual, somos inegavelmente diferentes nos aspectos fisiológicos, biológicos e hormonais. A começar pelos órgãos genitais e o sistema reprodutivo, temos características completamente diferentes. O homem tem o famoso pomo-de-adão que faz com que sua voz seja mais grossa, têm mais pelo no corpo, traços mais grossos e fortes e são mais musculosos. Isso sem falar no aspecto hormonal e na produção de estrógeno e progesterona nas mulheres e testosterona nos homens que os diferenciam física e até comportamentalmente.
Culturalmente os nossos mapas mentais (mindset), do homem e da mulher, são diferentes com variações influenciadas pela cultura de cada região ou país, mas indiscutivelmente homens e mulheres têm respostas emocionais e até reações mentais diferentes. Há culturas que valorizam a monogamia, por exemplo, e outras que aceitam o poligamia.
No que diz respeito às diferenças cerebrais, cientistas descobriram que há diferenças neurofisiológicas e anatômicas no cérebro de homens e mulheres. “As diferenças de gênero já se manifestam desde alguns meses após o nascimento, quando a influência social ainda é pequena. Por exemplo, Anne Moir e David Jessel, em seu controverso e admirável livro “Brain Sex” (“O sexo do cérebro”), oferecem explicações para essas diferenças precoces nas crianças.” Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n11/mente/eisntein/cerebro-homens-p.html
Historicamente, as mulheres eram proibidas de participarem de eventos como as Olimpíadas e até de assistirem aos jogos. Houve momentos em que as mulheres precisavam desenvolver características e até passarem por transformações, inclusive, físicas para ficarem iguais aos homens com o objetivo de chegarem a lugares ou posições que jamais chegariam se preservassem ou até potencializassem os traços femininos. Na Grécia antiga, Kallipateria, mãe de Pisidoros, se fez passar por homem e o técnico do time de boxe do filho a levou à vitória. Nos atuais jogos olímpicos, as mulheres ja participam de todos os esportes. Avançamos e temos avançado nas conquistas e espaços ocupados por mulheres. Entretanto, em todas as categorias de esportes as modalidades são femininas e masculinas por respeitarem e entenderem as diferenças fisiológicas de cada gênero. Não há dúvida de que a mulher com treino e até ingestão de certos hormônios possa ficar mais parecida com o homem. Assim como não há dúvida de que o homem ou a mulher transexuais possam ficar cada vez mais iguais ao gênero que escolherem, mas ainda assim diferenças hormonais, cerebrais e até fisiológicas serão preservadas em maior ou menor grau ou dosagem.
A discussão que se faz necessária a partir desses argumentos dos quais torno-me porta voz com o objetivo de levar a uma reflexão sobre o verdadeiro papel da mulher em todas as esferas da sociedade é a de que, no que diz respeito a gênero, há que se falar e defender as diferenças. O que devemos lutar é pelos direitos humanos, como, por exemplo, salários iguais para funções iguais e, por outro lado, devemos lutar para que nossas diferenças sejam respeitadas e garantam nossos direitos enquanto seres humanos, como por exemplo os 5 anos de diferença na aposentadoria, respeitando as diferenças fisiológicas, as transformações e o tempo que a mulher “perde” com a gestação, a maternidade, a dupla e até tripla jornada de trabalho.
A questão é: a verdadeira transformação que se faz necessária numa era pós-industrial, na era digital, que já ultrapassou a era industrial, da força e do poder masculinos vai acontecer e ser sustentável se continuarmos lutando por Igualdade de Gênero ou é hora de lutarmos para que nossas diferenças sejam respeitadas e entendidas como completares aos homens? Será que não é necessário entender as diferenças de gênero para lutarmos pela integridade, segurança e dignidade da mulher? Será que o discurso sobre igualdade de gênero não causa um equivoco semântico e, consequentemente, cultural que leva as pessoas a ridicularizarem os movimentos feministas por entenderem que feministas são mulheres que querem ser exatamente iguais aos homens? Será que não precisamos educar homens que respeitem as mulheres e as tratem com a delicadeza que lhes é peculiar sem admitir qualquer tipo de violência? Será que não está na hora de assumirmos o protagonismo e a autoria da nossa história sem nos vitimizarmos e colocarmos a culpa num sistema machista, mas sim, contribuirmos na construção de uma cultura que valorize a mulher e puna qualquer tipo de assédio ou agressão? Será que a verdadeira IGUALDADE DE DIREITOS só vai acontecer de fato quando lutarmos pela preservação dos direitos que nos iguala por sermos diferentes? Será que abriremos mão do direito humano universal de liberdade que dá às mulheres, o direito se vestirem diferente do homem e escolherem se querem usar saia longa, curta ou micro e não serem obrigadas a usarem calças compridas sob pena de serem estupradas?
Características fundamentalmente femininas podem ser as propulsoras dessa sustentabilidade global. O momento histórico é outro e os valores femininos parecem ser mais essenciais no que diz respeito ao desenvolvimento não só humano, mas também social e econômico. “O sociobiólogo, Edward O. Wilson, da Universidade de Harvard, afirmou que as mulheres tendem a ser melhores que os homens em empatia, em habilidades verbais, sociais e de proteção, dentre outras. As mulheres são melhores que os homens em relações humanas, em reconhecer aspectos emocionais nas outras pessoas e na linguagem, na expressão emocional e artística, na apreciação estética, na linguagem verbal e na execução de tarefas detalhadas e pré-planejadas. Gestores de corporações e até políticos já estão entendendo que essas são habilidades necessárias para uma gestão de resultados.
“Temos direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de ser diferentes quando a desigualdade nos descaracteriza”. (Boaventura Souza Santos)
por Cris Ferreira | set 28, 2016 | Artigos
Uma pesquisa realizada em 2013 pelo jornal inglês, Sunday Times, revelou que os maiores medos das pessoas são: falar em público (41%), desequilíbrio financeiro (21%) e de morrer (19%). Particularmente, não me incluo no grupo que tem medo de falar em público porque, quem me conhece sabe bem que, falar para meus alunos em sala de aula ou para qualquer tamanho de plateia quando dou uma palestra é um dos meus maiores prazeres na vida.
O desequilíbrio financeiro é realmente um grande receio, mas receá-lo não resolve absolutamente nada. Ao contrário, mudar de atitude, tomar decisões diferentes, quebrar paradigmas podem equilibrar a balança da sua realidade financeira e, muitas das vezes, até em curtíssimo prazo.
Da morte, não tenho o menor medo. Esta é a única certeza e verdade absoluta na qual acredito e, desde que tive o diagnóstico de Esclerose Múltipla, potencializei ainda mais a minha percepção do aqui e agora. Viver cada dia como um presente tem me tornado uma pessoa mais grata e feliz. Medo da morte não tenho, mas tenho pena! Sinto muito se morrer cedo porque adoraria viver como minha amada avó que do alto dos seus 92 anos é uma das pessoas mais lúcidas e saudáveis que conheço.
Porém tenho um medo que ainda não trabalhei em nenhuma sessão de análise e hoje especialmente veio à tona com uma mensagem do whatsapp de um amigo. Meu grande medo e, talvez até o maior de todos, é de ser uma pessoa inconveniente, invasiva, “una persona non grata”. Por algum motivo que realmente não sei qual é, sinto muito quando percebo que estou incomodando ou que não sou bem-vinda em algum lugar ou por algumas pessoas.
Obvio que não é possível ser aceita, querida ou amada por todos. Nem Jesus Cristo conseguiu este feito, não é? Nesta semana, enviei uma mensagem para algumas pessoas pelo whatsapp às 7h00. Provavelmente, muitas ficaram putas com minha mensagem, mas apenas uma me disse: “Nunca acordo antes das 7h30 e não fico de bom humor quando me acordam com mensagens. Não faz mais isso, porra!”. Uauuuu! Num primeiro momento, foi como se tivesse levado um forte tapa na cara. Senti uma dor e um incômodo terríveis.
Não imaginava que pudesse estar causando um mal ou desconforto tão grande a uma pessoa e ainda mais deixando o início da semana dela desagradável. Imediatamente, me desculpei e pedi perdão. Sinceramente, não queria ter incomodado aquela pessoa ou quem quer que fosse. Num segundo momento, entretanto, refleti sobre o fato e fiquei pensando mais uma vez sobre o poder das escolhas. Quando escrevi o artigo, Sou Múltipla porque não sou esclerosada, abordei exatamente este tema e fiquei imensamente realizada quando tive a notícia de que tinha sido o artigo mais lido do mês de setembro da Fanpage da Cloud Coaching.
O artigo trata exatamente do poder das escolhas e agora, pensando sobre a fala do meu amigo, vejo o quanto não tomamos a rédea de situações mais elementares, não nos apropriamos das ferramentas que temos a ponto de fazê-las trabalhar a nosso favor para não nos incomodar e não fazermos as escolhas conforme as nossas vontades. Se a pessoa sabe que fica de mal humor com mensagens que podem chegar a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada, ela pode facilmente desligar o acesso aos aplicativos.
No Iphone, basta ir em Ajustes, Dados do Celular e desligar o acesso ao whatsapp, por exemplo. Você pode bloquear todos os dias à noite e liberar no dia seguinte. As mensagens que lhe forem enviadas de madrugada não lhe incomodarão e, ao desbloquear, todas chegarão e você poderá abrir e ler as que desejar. Em outros aparelhos, acredito que o procedimento é o mesmo. Fato é que mais uma vez, reforço a minha convicção do quanto é importante termos consciência do poder que temos sobre absolutamente TUDO o que nos faz bem ou não.
A partir do autoconhecimento, ou seja, de reconhecer o que sou e o que não sou, o que gosto e o que não gosto, o que me faz bem e o que não me faz bem, torno-me apta a fazer escolhas e tomar decisões a meu favor. A grande pergunta é: qual o poder que tenho sobre as minhas escolhas e qual o poder tenho sobre a ação do outro? Parece-me que respondê-la faz toda a diferença. Neste caso, especificamente, quantas vezes vou me aborrecer com as pessoas que me mandam mensagens equivocadas ou indesejadas?
Mas, se tenho o controle sobre o meu celular, vou fazer a gestão de uso dele de forma que sirva exclusivamente a mim, aos meus interesses e ao meu bem-estar. Claro que não é possível controlar e prevenir todos os aborrecimentos da vida e eles nos ensinam muito, mas uma vez aprendida a lição como nesse caso, posso controlar os horários que deixarei meu whatsapp aberto, posso bloquear as pessoas com as quais não desejo esse tipo de contato… enfim, posso administrar a minha felicidade e os meus aborrecimentos.
Ter o poder de fazer com que as “coisas” nos sirvam e não nos tornarmos “escravos” delas é o mais legitimo e significativo poder. Quero dizer ao meu amigo que adorei a intervenção dele porque poucas são as pessoas sinceras e que têm coragem de dizer o que sentem. Apesar de ter ficado triste, principalmente comigo mesma por ter-lhe aborrecido, foi uma lição que eu já sabia, mas não praticava com tamanha ética e responsabilidade. Observar o comportamento e as mudanças que as redes sociais e, em especial, o whatsapp têm me causado interesse particularmente.
Hoje, reforço meu entendimento de que mensagens não urgentes, não importantes e, principalmente, propagandas devem ser enviadas dentro de horário comercial. Por isso, adotarei a partir de agora, a política de enviar somente no período das 8h00 às 19h00. E a gratidão… como me faz bem! Essa é talvez a melhor escolha que faço diariamente.
Termino esse artigo sentindo uma gratidão enorme pelo meu amigo que fez despertar para aquilo que pode ser incômodo para tanta gente, gratidão por me fazer rever as minhas práticas, gratidão por me fazer numa manhã de segunda-feira repensar sobre minhas próprias escolhas, sobre meus relacionamentos, sobre os meus verdadeiros desejos. Obrigada, meu querido amigo. Espero que você até me silencie por algumas horas na sua madrugada, mas que eu jamais me torne uma “persona non grata” que você bloqueie.
por Cris Ferreira | ago 31, 2016 | Artigos
O médico canadense Gabor Maté é um especialista em doenças terminais, especialmente drogadição e HIV, e autor de livros que tratam de deficit de atenção, estresse, desordem e doenças crônicas. Em sua palestra para o TED Talk, intitulada “O poder do vício e vício pelo poder”, ele tratou de um tema que tanto me interessa e sobre o qual tenho escrito, estudado, palestrado e dado cursos: o empoderamento.
Empoderamento é uma palavra que ainda não encontramos nos dicionários brasileiros, vem de Empowerment do inglês, e não raras são as vezes que percebo as pessoas virarem a cara ou não entenderem exatamente do que isso se trata. Pior fica a cara quando falamos de empoderamento feminino e os comentários passam sempre para uma certa ridicularização do feminismo. “La vem essa conversa de feminismo”, dizem homens e mulheres que ainda acham que feministas são mulheres que querem se vestir e se comportar como homens. Mais assustador ainda é quando os comentários são do tipo, “lugar de mulher é na cozinha”, ou mais sério e preocupante, quando mesmo diante de um caso de estupro coletivo, várias pessoas tentam justificar o ato no comportamento da mulher estuprada que é julgada pelas roupas que veste ou pela liberdade que tem. Neste sentido, entendo que o empoderamento feminino deve ser a palavra de honra do momento e um coletivo entendimento de que nos empoderaremos quando potencializarmos as competências das mulheres, reconhecendo as nossas diferenças e não repetindo um modelo masculino que não nos cabe.
Na sua fala, o Dr. Maté, diz que “Buda e Jesus foram, ambos, tentados e lhes oferecido o poder. Ambos disseram NÃO porque ambos tinham o poder dentro deles.” Definitivamente, a melhor definição de poder com a qual me deparei e da qual compartilho e acredito desde que comecei a trabalhar com empoderamento feminino. Sócrates dizia, “Conheça a ti mesmo”, ainda um aforismo grego e uma das máximas de Delfos, é na verdade um convite para autoconhecimento numa viagem para o seu eu interior e para que passemos a nos ocupar mais de nós mesmos do que das riquezas, da fama ou do poder como o conhecemos e que está ligado muito mais à capacidade de influenciar através da manipulação moral, intelectual ou econômica e opressão do outro.
Na perspectiva do autoconhecimento, o poder é conquistado quando damos seiva e alimento às raízes que nos sustentam e nos fazem resistir às tempestades, tentações, tribulações que são inerentes à vida de qualquer ser. A diferença entre quem se empodera a partir de um profundo e continuo exercício de potencializar suas virtudes, enxergando as oportunidades que poderá abraçar ao transformar suas fraquezas e limitações em forças e aquele que tem o “vicio pelo poder” a qualquer preço movido por vaidade, ganâncias e uma perversa e desenfreada ambição é o que dará ao primeiro a paz, a felicidade e a sustentabilidade que lhe permitirá fazer as melhores e mais assertivas escolhas. Neste sentido, o empoderamento é sistêmico uma vez que se faz necessária a busca do equilíbrio em todas as áreas de nossas vidas e o trabalho de Coaching é um grande aliado na condução do processo de autoconhecimento. A pessoa verdadeiramente empoderada é aquela que consegue determinar para si mesma quais são os seus padrões e compreende quais são a sua essência e valores.
Na roda da vida, que nos move em direção à plenitude, devemos avaliar, em primeiro lugar, como estão nossas saúdes física, emocional, intelectual, espiritual, financeira, dos nossos relacionamentos, se estamos satisfeitos ou se almejamos algo diferente e o que fazer para atingirmos o patamar que desejamos. Em tempos de redes sociais onde as pessoas se apresentam lindas, ricas, amadas, realizadas e felizes e onde há uma completa e perversa padronização de modelos, na grande maioria das vezes, fictícios que mascaram a realidade e ao contrário de empoderar enfraquecem e até mutilam as pessoas, é urgente que busquemos nos conhecer na nossa essência e no que podemos e queremos ser. Empoderamento está diretamente ligado a uma elevada autoestima, na qual eu me reconheço como única e diferente com virtudes e belezas próprias que não me fazem melhor nem pior que ninguém.
Empoderamento é um processo de autorresponsabilidade e controle sobre nossas vidas. Ter poder é não transferir para o outro a responsabilidade sobre a sua felicidade ou bem-estar, mas assumir a autoria da história que você escreve. Empoderar-se é ter controle financeiro, por exemplo, que lhe garanta tranquilidade para levar a vida que deseja levar; é ter controle emocional que lhe permita enfrentar grandes desafios com equilíbrio, sem desesperos ou descontroles; é cuidar da sua saúde física que lhe garanta a disposição e independência necessárias para realizar as tarefas que precisa ou deseja; é perceber qual é o seu papel em cada um dos seus relacionamentos e torná-los cada vez mais saudáveis e prazerosos dependendo do quanto você se ama, se conhece e se respeita em primeiro lugar sem transferir para o outro a responsabilidade de lhe fazer feliz.
Enquanto olharmos no espelho e perguntarmos a ele: “existe alguém mais bela do que eu”, ele sempre dirá que sim. Sempre haverá uma branca de neve que nos cegará e não nos permitirá enxergar a nossa verdadeira beleza ou uma bruxa que irá nos torturar e nos fazer acreditar que não merecemos o melhor. Empoderar é olhar para o espelho que nos revela a mulher mais bela que somos e podemos ser. É termos a coragem de dizer e acreditar que somos poderosas porque temos o conhecimento de quem somos, onde estamos e uma certa clareza de onde, como, com quem queremos estar. Empodere-se e não tenha medo de dizer: EU SOU PODEROSA! Porque você tem tudo a ver com isso.
por Cris Ferreira | ago 3, 2016 | Artigos
“Eu sou o homem vivo mais feliz. Eu tenho algo em mim que pode converter pobreza em riqueza, adversidade em prosperidade. Eu sou mais invulnerável que Aquiles. O azar não tem como me atingir”
(Sir Thomas Brown, 1642)
Ao procurar no Google a palavra “felicidade”, 60.900.000 são os resultados encontrados. Um número que me parece bastante expressivo para algo tão subjetivo. Fato é que as pessoas procuram e desejam felicidade, mas muito poucas parecem encontrá-la. O dicionário Aurelio define felicidade como sendo “um concurso de circunstâncias que causam ventura; estado da pessoa feliz; sorte; ventura, dita; bom êxito; a felicidade eterna: a bem-aventurança. Ja o site dicionarioinformal.com.br traz essa definição e uma opinião; “A felicidade é um sentimento passageiro. Acredito que ninguém seja completamente feliz. Existem momentos tristes e felizes. Sentimos felicidade quando esquecemos os fatos ruins. (mesmo que seja por segundos). A mesma coisa acontece com a tristeza! Só sentimos quando esquecemos todos os bons motivos para sermos felizes.”
Na minha experiência pessoal e em atendimentos de Coaching com pessoas de idades, sexo, religiões, credos, escolaridade e condição socio-econômicas diferentes, tenho desenvolvido uma percepção um tanto quanto diferente das definições que encontrei nesses dois dicionários. Minha percepção é, de certa forma, empírica e vivencial, mas tem também embasamento em estudos de neurociências e psicologia positiva que são áreas do conhecimento de extrema importância e relevância para o trabalho sério de um Coach.
Estudos de neurociências mostram que as pessoas mais felizes desenvolvem maior atividade no córtex pré-frontal esquerdo, ligado às emoções e sentimentos positivos e pessoas mais deprimidas no córtex pré-frontal direito. Uma pesquisa em Harvard, desenvolvida pelo investigador e psicólogo Dan Gilbert (em 2004), mostra que podemos “fabricar” a felicidade através de certas simulações. Em um artigo publicado em 2014, intitulado “Gratidão e Felicidade’, a neurocientista, Dra. Suzana Herculano-Houzel, aponta que: “No caso das emoções morais positivas, contudo, um achado é particularmente interessante: não importa se a causa do bom resultado é você mesmo ou outra pessoa; em ambos os casos há ativação do sistema de recompensa do cérebro, que nos deixa instantaneamente felizes e satisfeitos. Pensar em algo de bom que nos fizeram é, portanto, uma maneira tão eficaz de nos deixar felizes como fazer algo de bom a nós mesmos. A gratidão, portanto, leva à felicidade.”
A pesquisadora Barbar Friedricson da Universidade de Michigan, desenvolveu um trabalho que aponta que as emoções positivas como otimismo e alegria tem um impacto na vida do cidadão que vai muito além do bem-estar. Pessoas mais felizes são mais criativas, tolerantes, abertas a novas ideias. O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi desenvolveu o conceito de Flow que trata da motivação intrínseca e aponta que as pessoas altamente emotivas são pessoas não só mais felizes, mas altamente independentes e não precisam ser monitoradas ou estimuladas o tempo todo.
No ano de 2009, fui diagnosticada com um quadro de Esclerose Múltipla, uma doença neurológica, crônica e autoimune que provoca lesões cerebrais e/ou medulares e pode manifestar vários sintomas desde fadiga crônica à perda de movimentos. Tive dois surtos, um em 2009 e um em 2010, que me levaram a internações e altas dosagens de corticóides. Ao ser diagnosticada e, como ja tinha minhas outras duas irmas mais novas diagnosticadas anos antes, a doença não era desconhecida e convivia com pessoas saudáveis apesar de submetidas a um tratamento que exige aplicação de medicação subcutânea para o resto da vida. Desde então, decidi que faria a escolha de ter controle sobre minha doença e num profundo exercício de autoconhecimento desenvolvi a capacidade de controlar minhas emoções negativas e, consequentemente o estresse, que é um dos gatilhos para novos surtos da doença. Desde 2010, nunca mais desenvolvi qualquer sinal da doença mesmo tendo optado por não fazer o tratamento tradicional com aplicação das injeções.
O que tenho feito para ser uma pessoa cada dia mais saudável e feliz? Em primeiro lugar, acredito que tenho uma capacidade de resiliência intrínseca e atribuo a uma herança genética de minha avó materna e meu pai. Pessoas altamente resilientes que enfrentaram desafios e dificuldades com muito otimismo e gratidão, sem se tornarem vítimas e nunca as vi reclamarem da sorte, mas sim agirem para mudar as circunstâncias desfavoráveis.
No ano de 2014, fui desafiada por um movimento de Flavia Melissa chamado “300 dias de gratidão” a registrar diariamente nas redes sociais a minha gratidão. O registro diário e no final do dia, me fez exercitar um retrospecto diário sobre todos os acontecimentos e o mais interessante foi que desenvolvi uma capacidade ainda maior de agradecer os momentos difíceis e ruins, desenvolvendo uma enorme habilidade de entender o propósito e o aprendizado de cada situação. Nestes 300 dias, vivi um divórcio litigioso difícil, a morte do meu pai, uma mudança profissional drástica, uma cirurgia de descolamento de retina e sérias dificuldades financeiras. Por todas as situações, passei com a calma e tranquilidade necessárias que me fizeram entender o quanto o controle emocional me deixava uma pessoa melhor, não só para mim mesma, mas também para todos que me cercavam. A gratidão me fez enxergar as situações e as pessoas com muito mais empatia e generosidade o que me deu uma dimensão muito menor dos meus problemas. Alem disso, desenvolvi uma rotina ainda maior e diária de meditação e oração.
A doença também me fez mudar hábitos alimentares e de vida. Fui praticante de Yoga por mais de 12 anos, mas entrei num processo de atividades físicas bem mais intenso. Para fortalecer minha musculatura, precisava intensificar as atividades na academia e além da musculação descobri um enorme prazer no Spinning e depois nas corridas de rua. Nestes últimos quase 3 anos, eliminei 17 quilos do meu peso e me sinto cada dia mais saudável e feliz. Estudos apontam que as atividades físicas intensas, principalmente que geram suor e maior esforço físico, regulam as substâncias do cérebro que geram bem-estar como a Endorfina.
Como Coach e portadora de Esclerose Múltipla, posso testemunhar que o trabalho de autoconhecimento, disciplina, gratidão, aliados à alimentação saudável e exercícios físicos devam ser a chave para a felicidade. Felicidade que é um estado de plenitude mesmo diante de situações difíceis e desafiadoras. Ser feliz não é um estado de euforia e alegria eternas, mas é a capacidade, inclusive, de viver profundamente as nossas tristezas e “lutos” com a intensidade e no momento oportuno, mas resignificando-os com a resiliência necessária que nos permite ter um olhar de entendimento dos porquês que a vida nos oferece para que sejamos pessoas cada dia melhores.
O grande aprendizado pelo qual tenho passado todos os dias de minha vida é o de que a Felicidade é uma escolha diária. Sou Múltipla porque fiz a escolha de Não Ser Esclerosada. Sou autora da minha vida e não vítima. Autora de uma história que escrevo porque o papel e a caneta estão nas minhas mãos.
Que você escolha agora e todos os dias ser Feliz!
por Cris Ferreira | jul 6, 2016 | Artigos
A ideia deste artigo veio de uma longa conversa (muito cabeça, diga-se de passagem) com uma amiga, psicóloga e grande parceira, que desenvolve um trabalho do feminino há mais de 20 anos, quando ainda o assunto não estava tão em voga como hoje. Discutíamos sobre um curso que estamos construindo a quatro mãos e, num dado momento, veio a discussão sobre o significado da palavra Gestão para cada uma de nós. A ideia que mais gostamos foi a de que gestão deva ter a mesma origem etimológica da palavra gestação. E aí, nos deliciamos com todas as emoções, sentimentos e sentidos que essa palavra e momentos nos tocam. E, é claro, mais ainda por ser uma palavra tão ligada ao feminino e à mulher.
Uma vez que você se descobre gestora ou grávida, uma série de transformações acontece, primeiramente internas e depois externas. Mudanças de hábitos e uma nova percepção do mundo inevitavelmente fazem com que passemos a nos preocupar não só com o nosso próprio bem-estar, conforto, segurança, mas também do outro. Os cuidados diários que garantam que aquele feto se torne um bebê saudável são vitais. A gestação exige que a mãe cuide de si, mas sempre focada no bem que está fazendo ao bebê. E chegará o dia em que o bebê terá que sair, cortar o cordão umbilical e romper os limites porque so poderá crescer se tiver a ousadia do parto.
E você, como tem feito a gestão da sua vida? Tem tomado os devidos cuidados para que seus projetos nasçam com saúde e possam romper os limites para crescerem? Você é também gestor da vida de outras pessoas, dos seus filhos ou colaboradores? Tem dado a eles as condições, “vacinas”, “medicamentos” necessários para que cresçam e se tornem também gestores de suas vidas?
Assim como numa gestação, é necessário que o/a gestor(a) siga alguns procedimentos:
- Faça um “pré-natal” com um especialista. Tenha sempre alguém que lhe acompanhe e lhe ajude, um coach, um mentor. Alguém que tenha a capacidade de lhe fazer enxergar e perceber como está a saúde do seu negócio e lhe sugerir cuidados ou intervenções quando necessários;
- Cuide da sua alimentação. Selecione bem os produtos que está consumindo. Selecione bem as pessoas com as quais esteja se relacionando. Observe a qualidade e a quantidade. Está ingerindo algo que lhe fortaleça, que lhe nutra? Alimente bem o seu corpo, sua mente, sua alma, seu intelecto. Participe de congressos, cursos, palestras; amplie sua rede de relacionamento; previna-se das pessoas invejosas, fofoqueira, gananciosas; beba da água de fonte boa;
- Monitore o seu tempo. Avalie o seu crescimento e seus resultados mês a mês com foco na meta que estabeleceu desde o início. A gestante sabe que um bebê saudável deve nascer entre 38 e 40 semanas;
- Não engorde demais e não permita que fique inchado(a) demais. Todo excesso é perigoso. Pode ser excesso de pessoal, de custos, de processos, etc. Por isso, controle o “colesterol”, a “pressão”, a diabetes. Corte toda gordura má e açúcares;
- Tenha momentos de relaxamento, de meditação, de calma. Aprenda a respirar. Vai lhe ajudar na hora que sentir as primeiras “contrações”;
- E por fim, saiba a hora de cortar o “cordão umbilical”. Seja sabendo a hora de partir, de passar o bastão para um sucessor, de mudar, de aposentar, seja a hora de ver o seu “rebento” seguir seu caminho necessário para o seu crescimento.
O/A bom/boa gestor(a) é aquele que tem a mesma capacidade de uma mãe que empresta seu corpo para que seja o lugar seguro, aquecido, nutritivo com todas as condições de gerar um ser saudável e perfeito, mas que sabe que haverá o momento em que este ser romperá outros limites e partirá. Sobreviverá melhor aquela mãe que mesmo dedicando todo o amor àquele feto, àquele bebê e àquela criança jamais se descuidará dela própria e se manterá sempre saudável e feliz porque soube fazer a gestão da vida do(a) filho(a), mas soube também fazer muito bem a gestão da própria vida.
“Diz a lenda, que um jovem rapaz muito sedento de encontrar a resposta mais importante de sua vida percorreu os quatro cantos do mundo tentando desvendar o verdadeiro significado da felicidade. Ja cansado e sem chegar a uma resposta, conseguiu uma audiência com um velho sábio que mora num belíssimo castelo de um lugar que mais parecia o paraíso. Ao perguntar-lhe ansioso por uma resposta, o rapaz ouviu do velho um pedido: que fosse visitar todos o castelo e voltasse em duas horas. Porem, deu-lhe uma colher com duas gotas de óleo e lhe pediu que voltasse com as duas gotas na colher. Assim fez o rapaz e ao reencontrar o sábio não conseguiu lhe responder uma só pergunta quando o sábio lhe perguntou sobre os belíssimos tapetes persas, o frondoso jardim, o canto dos pássaros, a transparência dos riachos, o colorido das telas. Nada havia visto ou observado, mas as duas gotas de óleo permaneciam na colher. O sábio, então, lhe pediu que refizesse o passeio e voltasse em duas horas. Assim fez o rapaz e voltou maravilhado com tamanha beleza, alegria e paz. Porém, enrubesceu-se quando o sábio lhe perguntou sobre as duas gotas de óleo que não mais estavam na colher.” A felicidade está em termos a capacidade de nos maravilharmos com a grandiosidade da beleza, mas sem nos descuidarmos da essência. Autor desconhecido.