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Por Que Alguns Sobrevivem

Por Que Alguns Sobrevivem

Sempre que acontece uma tragédia, muitos perdem a vida, mas não é raro que nos surpreendamos com o fato de que alguns tenham sobrevivido. No grupo dos que sobrevivem, alguns se recuperam rapidamente e conseguem seguir a vida mesmo com as feridas, que vão sendo cuidadas, até que restem apenas cicatrizes. E estas são inevitáveis. Outros, passam a viver uma vida miserável cuja ferida jamais é fechada.

Acidentes e tragédias, vivemos todos nós, pelo menos uma vez na vida. Obviamente, que alguns em maior proporção e outros em menor. Alguns vivem um maremoto, outros um tsunami. Alguns passam por um terremoto de baixa intensidade, mas sofrem um infarto e morrem. Outros, passam por um terremoto de grande intensidade e saem quase que sem um único arranhão. Há os que são vitimas de um furacão e mesmo sendo avisados que ele chegaria, são devastados. E os prevenidos que fortalecem suas propriedades e sofrem mínimos danos. Aos sobreviventes, muitos atribuem milagre.

Na última sexta-feira, dia 04 de maio de 2018, (acho que jamais esquecerei esta data), vivi algo que num primeiro momento, dei o nome de tragédia. O banco para o qual prestava serviço há quase 4 anos como professora e também como Coach, foi interditado pelo Banco Central. Banco onde também minha filha trabalhava como estagiaria há exatos 10 meses e acreditava que seria contratada em breve tamanho sua dedicação, aprendizado e amor pelo que fazia. Uma empresa que na véspera, comemorava seu crescimento. Nos corredores, ouvíamos que estavam todos com sobrecarga de trabalho em função do acréscimo de contas a serem cadastradas e novos investidores aportando dinheiro. O cenário era de que haveria necessidade de aumento do quadro de colaboradores. Da noite para o dia, o banco não existia mais.

E o que isso tem a ver com as tragédias? Se esta não é uma tragédia com danos físicos ou mutiladores, é uma tragédia com danos emocionais de diversas proporções. Não houve perda de vidas nem perda de nenhum membro do corpo. Mas houve perda de perspectiva, de esperança, de confiança… houve mutilação ou mudanças de planos, de sonhos, de objetivos. E como em toda tragédia, quase todos são pegos desprevenidos. Digo quase todos porque o nível de informações e a visão do cenário pode ser diferente dependendo da posição em que cada um está e da percepção da possibilidade iminente de um desastre.

Imagine um ônibus de dois andares lotado. Há passageiros assentados nos bancos da frente, no meio e atrás, na parte de baixo, no mesmo nível do motorista, e os na parte de cima. É claro, que se um caminhão faz uma ultrapassagem proibida, o primeiro a perceber que uma tragédia se aproxima é o motorista e talvez alguns dos passageiros assentados mais à frente. Porém, os que estão atrás serão pegos totalmente desprevenidos. Nenhum deles chegará a seu destino no horário programado. Aliás, muitos não chegarão a seu destino. Outros, sobreviverão.

Neste episódio do banco, me lembrei do acidente das torres gêmeas do World Trade Center e dos depoimentos dos sobreviventes. Muitos chegaram para cumprirem a agenda de trabalho do dia e o prédio estava no chão. Naquela sexta-feira, não cheguei a ir ao Banco porque meu atendimento para um grupo de Coaching seria às 10h e havia sido postergado para a segunda devido ao acúmulo de tarefas de minhas Coachees. Mas praticamente todos os funcionários chegaram pontualmente ao edifício como em qualquer dia “normal” para trabalharem. Naquela mesma manhã, muitos foram imediatamente dispensados. Os novos “chefes” eram funcionários do Banco Central e os diretores não teriam mais nenhuma autoridade. Aquelas pessoas reagiam das mais diversas maneiras: uns desesperados, o choro incontrolável. Outros, petrificados, sem ação nem reação. Alguns, com uma lágrima fina no canto dos olhos sem entender e com uma terrível sensação de impotência.

Como acontece em várias tragédias, por algum motivo que não sabem bem explicar, algumas pessoas não foram trabalhar naquele dia. Minha filha, havia ganhado um bônus do Instituto Brasileiro de Coaching para participar de um treinamento de 3 dias em São Paulo que começaria na manhã, exatamente, do dia 04. Havia pedido um dia de folga e foi dispensada. Por algum motivo, foi tirada do local da tragédia e colocado num espaço com quase 1000 pessoas completamente conectadas numa energia de positividade. O nome do treinamento? “Desperte o seu Poder” com José Roberto Marques. Como uma das sobreviventes, ela teve o privilégio de viver a dor à distância e voltar para a empresa na segunda-feira fortalecida e pronta para viver uma nova fase.

Pessoalmente, reencontrei muitos destes sobreviventes também na segunda-feira. Os relatos sobre o fato são todos iguais. Todos descrevem a mesma cena com muita tristeza, mas a percepção e as emoções são distintas. Em meio aos fatos, há revolta, desespero, indignação, incredulidade, abandono e até gratidão. Entre os sobreviventes, há os que levarão semanas, meses ou talvez até anos para curarem as feridas. Há os que se entregarão e vão esperar que alguém os curem. E, há os que estancarão as feridas imediatamente, sentirão profundamente a dor até porque para limpá-las é preciso cutucá-las, mas as verão secar até que deixem apenas uma leve cicatriz.

Quem sobrevive? Como no caso de um furacão para os moradores da Flórida, por exemplo, hoje sobrevivem os que estão mais preparados. Os que fizeram as adequações aos imóveis e os fortaleceram para resistirem aos fortes ventos. Já no caso de tragédias não anunciadas, que nos pegam desprevenidos, os sobreviventes que conseguem viver a vida na sua plenitude, têm ou desenvolveram características muito comuns.

Os sobreviventes que não apenas sobrevivem, mas se permitem viver são, em primeiro lugar, resilientes. A resiliência é essa capacidade de levarmos um soco (como o boneco que tem saco de areia, João Bobo), de balançar, até de cair, mas de levantar rapidamente. A não vitimização é outra característica forte e comum aos sobreviventes. São pessoas que não se fazem de coitadinhas. São pessoas que percebem que têm muita autoridade e autorresponsabilidade pelos acontecimentos futuros. Isso não quer dizer que não aceitam ajuda. Ao contrário, muitas delas aceitam e pedem ajuda, não como vitimas e se colocando como as pessoas mais desafortunadas do planeta, mas com atitude de quem tem humildade para reconhecer que precisa de ajuda e que com alguém junto a cruz fica mais leve.

Ressignificar a realidade é outra capacidade que os sobreviventes têm maestria. Ressignificar quer dizer que estas pessoas têm a capacidade de dar um novo significado ao fato, entendê-lo como aprendizado ou como livramento. Ressignificar é tirar o foco dos pontos negativos e das perdas que qualquer tragédia causa, sendo capaz de se desapegar, mudar o foco e enxergar a intenção positiva que a tragédia lhes oferece. Ressignificar tem a ver com valores. Se a mansão ou o carro importado que você tinha parecia ser tudo, ressignificar lhe permiti dar valor ao que tem valor incalculável e ninguém pode comprar: a saúde, os amigos, a família e, até, o simples fato de respirar. Me lembro do livro “Pollyanna Menina”, que marcou minha infância, e do filme a “A vida é bela”. Em ambas as histórias, eles conseguiam fazer o jogo do contente e ver beleza onde ninguém mais veria.

E a gratidão. Ah, a gratidão! Como ela é capaz de ativar o sistema de recompensa do cérebro, responsável pela motivação, de liberar dopamina, um importante neurotransmissor que aumenta a sensação de prazer e ainda a oxitocina, conhecida como o hormônio do amor porque estimula o afeto, a empatia, traz tranquilidade e reduz a ansiedade. Os sobreviventes são pessoas que, ao perceberem uma tragédia, são gratos pelo simples fato de terem sobrevivido. São pessoas que percebem que tiveram o melhor, que tudo poderia ter sido pior, e se sentem muito abençoadas. Em geral, pessoas gratas são pessoas que também praticam gestos cotidianos de gentileza, seja um sorriso, um abraço, uma palavra de carinho, uma flor ou até mesmo o servir de forma voluntária

Não sei qual “tragédia” você está vivendo. Pode ser a morte de um ente muito querido, o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, o diagnóstico de uma grave doença, um incêndio na sua residência… Também, não sei o tamanho da sua dor e não tenho a receita de uma droga milagrosa que possa lhe prescrever. Como coach e também como uma sobrevivente de algumas tragédias pessoais, posso lhe dizer que vale muito a pena e faz muito bem: não se vitimizar, mas SER O AUTOR DA SUA HISTÓRIA; SER RESILIENTE, RESSIGNIFICAR, SER HUMILDE E PEDIR AJUDA, SER GRATO, PRATICAR A GRATIDÃO E A GENTILEZA.

Xá Comigo

Xá Comigo

Xápralá! Péraí, depois ocê mexe com isso. Este é um jeito bem mineiro de dizer, deixa para lá. Mesmo ja uma mulher madura, beirando os 50 ainda ouvi este tipo de coisa quando decidi me separar, sair de casa e reinventar minha vida. Não são raros os momentos em que ouço as pessoas me dizendo que deveria procurar um emprego porque este negocio de empreender é muito dificil. E quem foi que disse que o que é bom é fácil?

Mineira, sim, mas meio rebelde também, nunca fui muito de deixar para la, mas quase sempre fui muito mais do Xá Comigo. Acredito que sou movida a desafios e era tida como atrevida. Com uma certa dose de impaciência, prefiro pegar para fazer do que esperar que alguém faça. Quando a vida vai ficando monótona e sugere que nada de novo ou surpreendente vai acontecer, invento algo que me faça mover, sair do lugar.

Amo ser professora e este é muito mais que um oficio, é uma paixão e uma missão de vida. Desde criança, minha brincadeira favorita era dar “aulinha” para minhas irmãs mais novas e meus vizinhos. Não me lembro o que ensinava e nem se ensinava alguma coisa, mas sei que me sentia muito poderosa e chamava atenção dos meus “alunos” o tempo todo. Aquela brincadeira se transformou em profissão quando entrei na faculdade de letras da UFMG e alguns anos depois me especializei em linguistica. Desde os 17 anos, dou aula de inglês, para alunos de verdade e não de brincadeirinha mais. Tive minha primeira escola de idiomas em 1991 e vendi a ultima em 2014. Empreendedora inquieta, abri e vendi 4 escolas.

Há pouco mais de 3 anos, depois de me especializar em gestão de empresa e de coaching, de uma jornada longa como empresaria, realizei um sonho que achava inalcançável: ser professora de uma escola de negócios. E não uma escola qualquer, mas uma das maiores escolas de negócios do Brasil, a Fundação Getulio Vargas. Minha grande recompensa é saber que posso fazer alguma diferença na vida das pessoas e mais de 30 anos depois, dedicados à ensinar, vejo meus alunos brilharem como executivos, passarem em seleções de mestrado, doutorado, concursos, seleções de trabalho, serem promovidos e crescendo como profissionais. Porem, muito mais do que ensinar, o meu crescimento como pessoa ou “mestre” se dá porque aprendo a cada dia, não só com os livros, mas com cada um dos meus pupilos e pupilas.

Em 2009, fundei a Associacao das Mulheres Empreendedoras de Betim e em 2014 assumi a presidência da Camara Estadual da Mulher Empreendedora da Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais. Vi uma nova paixão nascer dentro de mim, o empreendedorismo como ferramenta de empoderamento feminino. A união das mulheres e o verdadeiro sentido de sororidade, da mulher fazendo pela mulher, o compartilhamento de conhecimento, de negócios, o tecer de uma rede de relacionamento me fez acreditar que o mundo pode ser melhor, mais fraterno, mais igual e muito mais justo quando nos unirmos e nos fortalecermos emocional, intelectual e economicamente.

Como coach, professora, palestrante, presidente e membro de associações encontrei mulheres empreendedoras com historias incríveis e, quase sempre surpreendentes. Aquela mulher empresária ou intra-empreendedora, a executiva e profissional de micro, pequenas, medias ou grande empresas bem sucedidas, todas elas, com desafios muito parecidos: conciliar a vida profissional, pessoal e familiar. Não deixamos de ser donas de casa, mães, amantes e nos tornamos também profissionais competentes, guerreiras, determinadas, comprometidas e focadas. Fomos ocupando espaços e carreiras que talvez nem nós mesmas poderíamos imaginar. Estamos em todos os segmentos: educação, beleza, saude, construção civil, logistica, transporte, engenharias, direito…

Nos associamos, nos unimos, nos juntamos, nos apoiamos e o numero de redes de mulheres cresce exponencialmente no Brasil e mundo a fora. Neste caminho, encontrei uma mulher pequenininha, com carrinha de menina, mas uma força que me deixou especialmente interessada em conhece-la mais de perto. Do facebook, entrei em contato e sai do modo online para ver de perto e offline o que é que aquela bahianinha tem. Fundadora da rede Mulheres que Decidem, hoje presente na Colombia, Portugal e nos Estados Unidos com mais de 36 mil mulheres conectadas e se ajudando através do compartilhamento de ideias e negócios sem fins lucrativos, Tabatha Moraes me encantou com sua generosidade e sua missão de vida.

Desejei muito me aproximar ainda mais daquele grupo e desde o primeiro dia nos mantivemos conectadas mesmo ela em Sao Paulo e eu em BH. Um dia sonhamos juntas fazer algo que mostrasse as mulheres de Minas e o que fazemos fora do eixo Rio – SP. Foi quando Tabatha teve a ideia de publicarmos um livro de historias de mulheres mineiras. Não tive a menor duvida. Se ela precisava de alguém para coordenar este projeto e dar às mulheres a oportunidade de inspirarem outras contando a sua trajetória, eu estaria à disposição para ajudar que este sonho se tornasse realidade. Não pensei duas vezes e numa rápida conversa por telefone, tudo que pude dizer para aquela forte, determinada e aguerrida mulher foi; “Xá Comigo”.

Este é apenas o primeiro capitulo de muitos que temos pela frente. Relatos que nos tocam, nos emocionam, nos fazem chorar e as vezes ate rir, mas que acima de tudo nos fazem ter a certeza de que nenhuma delas terceirizou ou permitiu que ninguém escrevesse a sua historia. Ser autora é ter a legitima autoridade para fazer suas escolhas. É ter o papel e a caneta na mao, rascunhar quando necessário, apagar algumas linhas quando necessário, mas ir até o fim.

Xápralá coisa nenhuma. Xá Comigo porque cada uma destas historias ficará registrada em nossos corações.

Sou Grata Sim, Obrigada!

Sou Grata Sim, Obrigada!

Em recente vídeo publicado, o professor, escritor e neurocientista, sócio-diretor da NeuroVox e pesquisador do Laboratório de Neurociências Clínicas (LiNC) da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, Pedro Calabrez aborda o tema gratidão e inicia dizendo que a palavra gratidão tem sido usada de forma banalizada assim como a palavra amor entre outras.

Num primeiro momento, senti-me um tanto incomodada e sinto-me sempre que as pessoas se referem ao uso massificado de uma palavra como sendo banalizado. Particularmente, vejo sempre com bons olhos que palavras positivas sejam usadas mesmo que as pessoas não saibam bem qual o seu verdadeiro significado. Banalizar o uso da palavra amor, a meu ver, não tem problema algum. Ao contrário, banalizar o uso da palavra ódio, me parece bastante prejudicial à saúde de quem a usa. É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem: eu amo salada ou eu amo meu filho assim como é comum ouvirmos as pessoas dizendo: eu odeio jiló ou eu odeio o Lula.

Me parece que a banalização da palavra “amor” acaba gerando o efeito positivo, mas o significado de amor é bastante amplo e diferente para cada relação, embora não me pareça problemático ou prejudicial. Já o uso da palavra ódio, cria um mecanismo de intolerância e repulsa que pode levar até a uma extrema agressividade.

Pois bem, felizmente o professor Pedro Calabrez continua sua palestra explicando melhor o que ele considera ser “banalização” da palavra Gratidão e, confesso, que senti um certo alivio já que sou sua grande admiradora. Como não poderia ser diferente, o professor endossa o trabalho de cientistas de neurociências e da psicologia como Glenn R. Fox*, Jonas Kaplan, Hanna Damasio, Antonio Damasio, Prathik Kini, Joel Wong, Sydney McInnis, Nicole Gabana, Joshua W. Brown entre outros, sobre a relação entre gratidão, bem-estar e saúde mental.

O que o professor considera ser banalização é o fato de as pessoas serem gratas somente de forma passiva, ou seja, tendem a serem gratas diante de episódios felizes ou agradáveis como um dia de sol, um aumento de salário, etc. Por outro lado, a gratidão ativa está ligada a um certa “programação” da mente que é ativada com a pratica de exercícios diários de gratidão, gerando resultados altamente positivos no que diz respeito à felicidade e bem-estar.

No seu trabalho de pesquisa em Harvard, que tornou o professor Shawn Anchor popular e palestrante famoso sobre o tema gratidão mundo afora sendo entrevistado por celebridades como Oprah Winfrey, ele afirma a importância de exercício diário de gratidão e os efeitos positivos sobre os níveis de felicidade e bem-estar que resultaram no aumento de produtividade de colaboradores de várias empresas com as quais trabalhou. Anchor sugere que a gratidão seja registrada diariamente, o que ele chama de “journaling”, e complementa que atos de gentileza diários como dizer um bom dia com alegria, enviar uma mensagem de carinho ou dar uma flor para alguém também tornam os dias muito melhores e produtivos.

Pessoalmente, aceitei em 2014 o desafio de gratidão proposto por Flavia Melissa de publicar no Instagram 300 dias de gratidão. O ano de 2014 foi, sem dúvida, o mais difícil de minha vida. Vivi um divórcio e os últimos 6 meses mais difíceis da luta de meu pai contra um câncer de garganta que o levou a óbito em 22 de dezembro daquele ano. Por já estar fazendo o exercício da gratidão diariamente e ter me comprometido a postar, cheguei a escrever minha gratidão durante algumas madrugadas com a sensação de que seria impossível agradecer o que quer que fosse. No dia da morte de meu pai, me desafiei a não sofrer ou me revoltar, ao contrário, à medida que pensava no exercício e no que escreveria, fiz uma viagem no tempo me recordando de todos os bons momentos que tinha vivido com aquele homem por quase 50 anos. Senti uma gratidão genuína e um privilégio inigualável por ter sido presenteada e escolhida para ser sua filha e sua filha primogênita, nascida exatamente um dia depois de seu aniversário. Me vieram lembranças de dias e momentos muito felizes e também de alguns momentos conturbados nos quais ele com toda a sua rigidez de pai me fez amadurecer e aprender sobre a vida.

Foi também no ano de 2014, exatamente uma semana antes da morte de meu pai, que concluí o curso de formação de Coaching com uma turma VIP de apenas 7 mulheres e a última do ano. De la para cá me reinventei profissionalmente e tive novas portas se abrindo. O testemunho que posso dar é o de que, mesmo que você não acredite no poder da gratidão e nos efeitos que ela pode causar no seu bem-estar, vale a pena exercitá-la todos os dias. Minha sugestão: troque suas reclamações e negatividade por gratidão e descubra qual a intenção positiva de cada evento na sua vida.

Sou grata sim, obrigada!

“Entre Elas e Eles”

“Entre Elas e Eles”

Entra ano, sai ano, vejo os ânimos inflados, seja de homens ou de mulheres, no bendito dia Internacional da Mulher. Eta diazinho polêmico! E há de tudo, os que amam e os que odeiam, os que entendem e conhecem a história de luta das mulheres, os que já têm ideias preconcebidas, os acham que não faz o menor sentido e os que repetem o jargão, “dia de mulher é todo dia”.

Seja lá qual for o pensamento ou a crença, acho bacana e importante demais que tenhamos um dia em que as discussões, manifestações, homenagens, passeatas, etc. aconteçam mundo afora porque, de alguma forma, levam a algum tipo de reflexão e avanço. Além disso, pertinente é que recordemos de fatos importantes da história mundial e do Brasil para que possamos ter conhecimento das conquistas da mulher e do papel de cada movimento em seu tempo.

Vale lembrar que a Revolução Russa, que derrubou o regime vigente e o czarismo, foi iniciada por um grupo de mulheres trabalhadoras da industria têxtil no dia 23 de fevereiro de 1917. Elas reivindicavam melhores condições de trabalho já que chegavam a trabalhar 12, 14 horas por dia e recebiam menos da metade do salário dos homens metalúrgicos e eram aproximadamente 62% analfabetas. Se você não sabe, a Revolução Francesa foi marcada por várias participações de mulheres revolucionárias que fizeram “barulho”, literalmente. Mulheres operárias, feirantes, de vários grupos sociais que lutaram pelos abusos e contra a miséria a que eram submetidas.

Ainda há que se falar de mulheres que impactaram a vida de gerações, muitas sem sequer levantar qualquer bandeira ou preocupadas em deixar algum legado. Nomes que merecem ser lembrados como o de Mary Wollstonecraft, escritora, filósofa e defensora dos direitos da mulher que morreu no final do século XVIII e de sua filha Mary Shelley, a autora do clássico Frankstein; Indira Gandhi, que foi presidente da Índia; Margareth Tatcher, a conhecida “dama de ferro”, primeira ministra da Inglaterra; Maria Ester Bueno, que entrou para a história ao ser a primeira mulher a ganhar os 4 Grand Slams jogando em duplas num mesmo ano; Coco Chanel, que revolucionou a moda e única estilista a fazer parte da lista das 100 pessoas mais influentes no mundo da Revista Tim; a menina paquistanesa, ativista pelo direitos humano, Malala Yousafzai, que reivindicava o direito das meninas à educação e a mais nova a ser laureada com o prêmio Nobel da paz; e milhares de tantas outras.

Ainda é bom lembrar que no Brasil, a mulher só teve direito de frequentar um banco de escola nos anos de 1827, mais de três séculos da sua descoberta. Ate então, as meninas eram proibidas de estudar ou aprender a ler. Só em 1879, as mulheres puderam frequentar uma faculdade e a maioria frequentava apenas o curso de Pedagogia porque tinham formação em Magistério. Raríssimos até muito pouco tempo eram os casos de mulheres estudantes de escolas de Engenharia e Medicina, por exemplo. As mulheres só passaram a ter direito de votar em 1932 e a Lei Maria da Penha só entrou em vigor no ano de 2006 quando as delegacias de mulheres passaram a ter poder para prender os agressores e pedir medidas protetivas para as mulheres violentadas.

Chegamos aos anos de 2018 e, muitas vezes, nos esquecemos que se estamos ocupando espaços importantes na sociedade, se tivemos direito à educação, se podemos discutir sobre questões de direitos e gênero, é graça à luta de gerações anteriores, de milhares de mulheres famosas ou “anônimas”, e também, por que não lembrar de homens, que lutaram e ainda lutam por um mundo mais justo, mais fraterno e mais igual no que diz respeito a direitos humanos?

O mundo contemporâneo testemunha histórias de sociedades patriarcais que privilegiam o homem e dão a ele muito poder. No Brasil, a participação da mulher na economia do país e a sua ascensão em alguns segmentos é muito recente. Obviamente que, neste sentido, a sociedade tem com a mulher, assim como tem com as minorias, um débito social e econômico.

Em países como a Inglaterra, desigualdade salarial entre homens e mulheres é ilegal e o país tem registrado a menor taxa de desigualdade atingindo 18%. Ainda assim, de acordo com relatório apresentado pela Fawcett Society o “gap” só vai zerar daqui a 100 anos. Assim, o governo britânico tem adotado práticas para reduzir as diferenças mais rapidamente. Entre elas estão a solicitação de que grandes empresas, inclusive estatais, publiquem relatório de “gender pay gap” e “gender bônus gap” (relatórios com as diferenças salariais e de bônus entre homens e mulheres); ofereçam 30 horas livres para cuidados com crianças menores de 4 anos e encoragem as meninas a escolherem profissionais tradicionalmente dominadas por homem. Além disso, o governo ja adotou política de horário flexível para todos os empregados, licença maternidade e paternidade compartilhada e encomendou um trabalho para estudar como derrubar as barreiras para que as mulheres possam chegar ao topo de suas carreiras.

No ranking do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o vergonhoso 62º lugar, atrás de países como Cuba, Nicarágua e Equador. Temos avançado no mapa da igualdade na educação e saúde, mas estamos muito desiguais na economia e política, o que significa um gap enorme no que diz respeito a salário, participação na política e cargos de liderança. O número de mulheres vitimas de violência em 2017 chegou a 503 a cada hora, totalizando 4,4 milhões, segundo pesquisa do DataFolha. Ja os dados do Fórum Brasileiro de Seguranca Pública, relata que foram 4.380 mulheres assassinadas por dia e quase 50.000 estupradas.

O movimento feminista que levou as mulheres às ruas e que queimaram seus sutiãs teve seu momento de extremo valor e contribuição. Mas, o mundo vem se transformando a passos largos e os movimentos feministas também. Com a participação da mulher cada vez maior no mercado de trabalho e números cada dia maiores de lares chefiados por mulheres, que segundo dados do IPEA, chega a 40% no ano de 2015, o que aconteceu foi que as mulheres entraram no mercado de trabalho, se tornaram também provedoras, mas acumulam 3 turnos de trabalho porque os cuidados com o lar e com os filhos não foram compartilhados com os homens, cônjuges e parceiros.

Vivemos um momento em que não precisamos nos limitar às questões de direito de gênero. Ao meu ver, homem nenhum será igual a uma mulher e mulher nenhuma será igual a um homem. Precisamos, sim, educar nossos filhos com os valores que permeiam a igualdade de direitos e deveres humanos, independentemente do sexo, ensinando ambos ofícios tradicionalmente femininos assim como incentivando ambos a escolherem profissões tradicionalmente masculinas.

É fundamental adotarmos políticas com metas que pretendam zerar o gap da desigualdade de salários, que combatam todo e qualquer tipo de violência de gênero, etc. É o momento de entendermos que o feminismo atual é o feminismo que entende, respeita e valoriza as diferenças e peculiaridades da mulher e que briga, sim, por igualdade de direitos humanos e não para serem iguais aos homens. O maior empoderamento da mulher está no seu direito de fazer a escolha que quiser e ser respeitada por isso. Inteligência, é uma palavra que vem do latim – elegere, ou seja, eleger, escolher. Não há nada mais inteligente que fazer as suas escolhas sem culpa e sem seguir padrões preestabelecidos por uma sociedade que ainda não entendeu o valor do papel de cada indivíduo na construção de um povo forte. É importante valorizarmos o trabalho e a profissão, mas não menos importante para a sociedade é o cuidado com a formação dos cidadãos que começa na infância e, neste sentido, a inquestionável importância da presença dos pais na criação das crianças. Assim, igualmente louvável e valoroso é a escolha da mulher ou do homem que opte pela oficio de ser dona/dono de casa.

Desde os tempos da caverna, o homem tem como característica predominante o ser provedor porque era ele quem saía para caçar enquanto a mulher ficava cuidando dos filhos e protegendo o abrigo. Culturalmente, o homem é o provedor e a mulher a cuidadora. Hoje, o número de mulheres provedoras e lares chefiados por elas ultrapassa 40%. Infelizmente, o número de homens “donos de casa” que participam igualmente dos cuidados com o lar e os filhos ainda é muito tímido o que trouxe para a mulher uma sobrecarga e acúmulo de 3 turnos de trabalho.

Celebrar o dia internacional da mulher é e continuará sendo necessário e louvável por alguns anos até o dia que tenhamos o orgulho de comemorar as conquistas e os avanços da construção de um Brasil justo, igual e seguro para todos. E se há um caminho, me parece que o único é o da educação, formal e informal, que valorize, priorize e literalmente eduque seres mais humanos, mais tolerantes, mais coparticipativos e cocriadores de um mundo muito melhor.

Analfabeto Emocional e Espiritual

Analfabeto Emocional e Espiritual

Analfabeto é a pessoa iletrada, que não conhece o alfabeto, não tem a capacidade de decodificar os símbolos, entendê-los e interpretá-los. Ser analfabeto é mais que cegueira, uma vez que o cego, apesar de não enxergar, é capaz de desenvolver mais os outros sentidos e “ver” com o tato, o olfato… Para o analfabeto, não há a possibilidade de desenvolver qualquer habilidade que o faça ler aquilo que vê apenas como imagem e símbolos sem nenhum significado ou informação.

E pensar que as letras estão em todo lugar. O mundo para um analfabeto é um mundo sem sentido ou, pelo menos, um mundo do qual ele é excluído. O que lhe é comunicado, não é percebido, não é assimilado, não é compreendido. Para tornar-se uma pessoa letrada, é preciso passar por um processo de aprendizado que começa por reconhecer cada uma das letras do abecedário, entender como elas se relacionam, se comportam. Ao uni-las, se reconhece as palavras e como estas também se combinam. Sozinhas ou em conjunto têm significado, nos enriquecem, preenchendo vazios, ocupando espaços, mostrando novos caminhos.

Há também os chamados analfabetos funcionais que são até capazes de decodificar, de ler, mas não conseguem compreender ou interpretar a mensagem ou informação que está por trás daquelas letras. Contrariamente, há iletrados que são doutores na arte de ler e interpretar a vida. Quem é que não conhece um “matuto”, um “sábio” que não aprendeu a ler a cartilha da escola, mas aprendeu as lições com maestria? São aquelas pessoas das quais não temos vontade de sair de perto tamanha a sua “letragem”. É letragem mesmo! Palavra que inventei para batizar aquele(a) que é letrado(a) na arte de perceber, compreender e interpretar as mensagens que, de alguma forma, lhes são enviadas.

A vida de um analfabeto é como um livro que só contém rabiscos, sem sentido, sem significado. E quantos de nós não somos analfabetos e passamos pela vida sem a compreender, sem a capacidade de interpretar as mensagens que nos são enviadas a todos os momentos? Analfabetos emocionais que jamais tiveram a coragem, a curiosidade, a ousadia de abrir o livro da sua alma e vasculhá-lo. Jamais entraram no seu interior para lhe entender. Analfabetos ignorantes que vivem na escuridão. E somente a busca do autoconhecimento pode lhes tornar letrados, capazes de ler e compreender a sua própria alma.

“Sê quem és, sabendo”
(Pindaro)

E não há outro caminho. Não há outra luz que nos tire da escuridão. Só sabemos quem verdadeiramente somos quando pegamos a trilha do autoconhecimento. E como ela se dá? Assim como buscamos qualquer conhecimento, precisamos investigar, ler, interpretar, buscar as informações. Sócrates dizia que o conhecimento é como parir. Que todo ser humano tem as respostas dentro de si e, através de perguntas (estímulos), pode “dar à luz”. Metaforicamente, a luz sendo aquela que nos tira da escuridão, da ignorância.

Passamos a vida sem nos perguntarmos o que nos daria à luz que precisamos para nos guiar. Sem sabermos ao certo quem somos nós, para que estamos aqui e o que podemos, queremos e devemos deixar. Ao contrário, rabiscamos o caderno traçando linhas que não nos levam a lugar algum. Gastamos muito de nossa energia e, talvez até com uma desenfreada fixação na felicidade que acreditamos estar naquele ou naquela que será o meu cônjuge, na casa ou no carro dos sonhos, no emprego com alto salário, no acumulo de posses. Reforçamos as crenças judaico-cristãs e capitalistas de que a felicidade está em se casar e ficar casado até que a morte os separe, em ter filhos lindos e saudáveis, em ter dinheiro para consumir tudo o que desejar…

Na perda de qualquer destas coisas que acreditamos ter, ficamos completamente desorientados porque nos apegamos a tudo aquilo que está fora de nós. Sem referência e sem equilíbrio, não sabemos nos apoiar em nós mesmos que é verdadeiramente o único que nos acompanha todos os dias e até o fim. Buscamos as respostas onde jamais as encontraremos porque não nos alfabetizamos e não aprendemos a nos ler.

Pior ainda, não sabemos ler as mensagens que o Cosmo, o Universo, Deus, deuses, os espíritos seja la o que você acredita, se é que acredita em algo. Fato é que somos mais que matéria e assim como você não vê o ar, ele existe, independentemente, de você acreditar ou não. O analfabeto espiritual não aproveita as oportunidades para interpretar, decodificar e aprender com as lições que a vida lhe dá.

Imagina se um analfabeto que passou a vida tendo o outro lendo as histórias para ele sem jamais saber qual era o gosto de fazer a sua própria leitura, vai dar conta de aprender com as perdas, dores, desafios e dificuldades da vida. Ao perder este outro, perde também o fim da história. A única maneira, é fecundar. Fazer perguntas. Entender o que há além da matéria, o que está nas entrelinhas. O que o Universo, Deus, seja la o que for, quer lhe ensinar com esta perda? Se ela é inevitável, como seguir sozinho? Quais são as forças que lhe ajudam a encontrar a luz? Como pode se tornar uma pessoa melhor agora que não tem mais o que tinha antes? Quais são os seus verdadeiros valores? O que deve aprender para que possa ler as histórias, vivenciá-las, interpretá-las e melhor ainda, como pode se tornar o autor das suas próprias histórias?

“Se você acredita em outras vidas, se torne cada dia melhor nesta para garantir um bom lugar na próxima. Se você acredita em apenas uma vida, não vai perder a única oportunidade que tem de se tornar cada dia melhor, não é mesmo?”
(Lúcia Galvão)

Lembre-se: Você pode ser apenas uma célula entre bilhares deste corpo, mas, com certeza, sabe que basta uma única célula cancerígena e doente para destruir um corpo. Portanto, você é único(a), é muito especial e importante. Abra este livro, que é você, e procure ler cada página, cada capitulo, e “sê quem és, sabendo.”

Coaching e Empreendedorismo Para Mulheres: Como Empreender Na Vida E Na Profissão

Coaching e Empreendedorismo Para Mulheres: Como Empreender Na Vida E Na Profissão

No ultimo dia 19 de novembro, comemoramos o Dia Global do Empreendedorismo Feminino, lançado pela ONU em 2014. O objetivo de tal data é chamar a atenção do mundo para o impacto econômico e social causado por negócios geridos por mulheres, uma vez que elas reinvestem bem mais na formação e educação dos filhos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística, o IBGE, entre 2013 e 2018, a população feminina brasileira deverá crescer 4,2%. Desde 2012, o número de mulheres é maior que o número de homens, e, desde a década de 1970, a atuação feminina em diversos setores cresceu e cresce vertiginosamente.

Na sociedade contemporânea, a mulher vem exercendo uma infinidade de papéis que vão desde a maternidade, vida conjugal, sexual e afetiva, responsabilidades domésticas e o protagonismo no mundo dos negócios. Desde tempos mais remotos, a multiplicidade de tarefas destinadas e naturais do feminino tem dividido espaço com a quebra de paradigmas, busca por igualdade de direitos, e, principalmente, respeito.  É uma mudança profunda numa sociedade de comportamento patriarcal que ainda não processou o papel da mulher na constituição das famílias, no crescimento e modificação da economia do Brasil.

Para muitas mulheres, o emprego não é a primeira opção, uma vez que elas prezam por ter mais tempo e qualidade de vida. Empreender e ter o próprio negocio têm sido o caminho que muitas mulheres escolhem. Em geral, o brasileiro é conhecido por ser um povo criativo e empreendedor. Entretanto, as estatísticas mostram que em média 60% das empresas fecham antes de completar 5 anos por falta de uma boa gestão.

As mulheres têm, em geral, um perfil empreendedor diferente do homem e o processo de Coaching pode também ser de grande ajuda e fundamental para o desenvolvimento da empreendedora através do autoconhecimento e autodesenvolvimento que traz à tona as suas virtudes, mas também reconhecendo e transformando as suas limitações e fraquezas. É um instigante e maravilhoso exercício de autoconhecimento para alcançarmos a realização que buscamos nas nossas vidas, pessoal e profissional.

Através do trabalho de Coaching podemos identificar o perfil da mulher e trabalhar questões que são fundamentais para o sucesso de seu empreendimento como Foco e Visão; como atingir seus objetivos; como melhorar os relacionamentos e ter pessoas que te apoiam e te ajudam a atingir os objetivos; comunicação eficaz e eficiente; como administrar o tempo; qual o seu propósito de vida e quão alinhado está com o propósito da seu negocio.

Empreender é identificar uma oportunidade e transformá-la em algo que lhe traga resultado. Empreender é executar e realizar algo. Neste sentido qual é o seu empreendimento? É uma empresa, é a sua carreira, é a sua família, são os seus relacionamentos, são os seus filhos? Não importa qual seja seu empreendimento, você pode fazer dele um projeto de Grande Sucesso.

Por Que As Mulheres Se Autossabotam?

Por Que As Mulheres Se Autossabotam?

Você sabia que os cérebros da mulher e do homem têm muito mais similaridades do que diferenças? Que em pessoas “normais” ambos possuem um cérebro inteiro, com hemisférios direito e esquerdo? O lado direito do cérebro é o lado analítico, racional, lógico, objetivo, da fala, da escrita, das habilidades matemáticas e numerais. O lado esquerdo, das emoções, da subjetividade, da criatividade, da intuição, da imaginação, da musicalidade, da estética. Fato é que o cérebro feminino costuma ser um pouco menor e mais leve que o do homem, mas o número de neurônios e conexões é praticamente o mesmo. Einstein possuía um cérebro do tamanho do cérebro feminino.

Obviamente, então, ambos têm a mesma capacidade de desenvolver atividades cognitivas e emoções e não é o gênero que vai determinar se o homem é mais ou menos racional que a mulher, por exemplo. Além da influência do DNA, o ambiente, as interações e os estímulos fazem com que as pessoas, independentemente de serem do sexo masculino ou feminino, de terem certas características ou inteligências. Portanto, é perfeitamente possível que nos deparemos com mulheres cientistas, físicas, doutoras em estatística, matemática, engenheiras e homens extremamente criativos, sensíveis, doutores em artes, designs, cientistas humanos e por aí vai.

Ora, se os cérebros de homens e mulheres são praticamente idênticos, o que os tornam tão diferentes. Claro que as nossas diferenças estão também ligadas às questões biológicas, mas um fator determinante no que diz respeito ao comportamento, crenças e modo de agir é o ambiental e cultural. Consequentemente, o sucesso profissional de muitas mulheres está muito mais ligado à forma como ela foi criada pelos pais, ao país onde foi educada, ao ambiente institucional e etc.

Países com cultura altamente machista como o Brasil têm os maiores índices de desigualdade no mundo. Enquanto, a Islândia está no primeiro lugar do ranque de países com menor índice de desigualdade, seguida da Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca, o Brasil ocupada o vergonhoso 85º lugar, atrás, inclusive, de países como Uruguai, Colômbia e México. Numa publicação da Folha de São Paulo de 26/09 de 2015, o fim da diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil só se dará em 2085, se continuarmos no ritmo da desigualdade que estamos hoje. Só em 2083, teremos o mesmo número de mulheres senadoras e em 2254, o mesmo número de deputadas na câmara federal. Já a igualdade em cargos de diretorias executivas só se dara em 2126 e o que é mais assustador nos dias de hoje é que quanto maior o nível de escolaridade das mulheres, maior a diferença salarial.

Numa palestra apresentada no Ted Talk, a COO do Facebook, Sheryl Sandberg, aponta que o número de mulheres em altos cargos é extremamente baixo porque as mulheres se autossabotam. O percentual de alto executivas nos EUA é de aproximadamente 15 a 16 por cento. Uma das questões que ela aborda é a de que as mulheres não negociam a sua força de trabalho e aceitam salários e condições piores que os homens. Um estudo aponta que 57% dos homens negociam seu primeiro salário logo que saem da universidade, enquanto que apenas 7% das mulheres o fazem. Além disso, a mulher subestima seu valor. Os homens, por outro lado, têm a autoestima muito mais elevada e realmente se acham muito bom. A mulher ainda gasta duas vezes mais tempo na educação dos filhos e três vezes mais nos afazeres e cuidados domésticos que o homem.

Um ponto crucial na ascensão da mulher no mercado de trabalho está ligado à autossabotagem. A mulher, por questões culturais, pelo simples fato de pensar na possibilidade de um dia ser mãe, não corre mais atrás de promoções, não aceita novos projetos ou desafios. Inconscientemente, ela começa a se afastar e a se boicotar.

Entender e ser verdadeira consigo mesma; saber exatamente qual o tamanho dos seus sonhos e seus objetivos; saber dialogar com seus parceiros e compartilhar as tarefas domésticas e projetos; reconhecer seu valor e não se subestimar, parecem ser os caminhos de transformação para que a mulher transforme as projeções e ocupe os espaços que lhe cabem como profissional independentemente das questões de gênero.

Networking – Não É Coisa Pra Gente Desocupada

Networking – Não É Coisa Pra Gente Desocupada

Networking é um termo em inglês que significa rede de relacionamento. A palavra rede por si só nos remete à ideia de uma teia que é cuidadosamente tecida, costurada onde linhas se entrelaçam e se fortalecem tornando a rede forte e resistente.

Vivemos uma cultura que, em pleno século XXI, e passada a era industrial, supervaloriza o trabalho operacional. Não é raro encontrarmos empreendedores(as), empresários(as) e executivos(as) que dizem não ter tempo para nada e ficam trancafiados em seus escritórios e empresas. Já vi donos de estabelecimentos que não tiram férias para não deixar o seu negócio nas mãos de terceiros.

Por outro lado, as pessoas que conheço de maior sucesso profissional, que driblam as crises e mantêm seus empreendimentos em atividade são as que literalmente saem das suas caixas. Estas pessoas, em geral, são muito pouco operacionais, mas são altamente estratégicas e enxergam oportunidades onde elas não parecem ser tão óbvias para a grande maioria.

Nós, mulheres, devemos e podemos usar e abusar daquilo que nos é mais peculiar e natural: estar ao lado das pessoas, bater papo, interagir. Melhor ainda se o café-da-tarde ou o almoço que nos dão tanto prazer se torna o espaço de negócios. Se você ainda é do tipo que acha que passar um dia inteiro no evento com outras empreendedoras, empresárias é perda de tempo, repense os seus conceitos. Os melhores contratos, os melhores clientes, os melhores fornecedores podem estar exatamente neste ambiente que parece ser muito informal.

Em tempos de redes sociais e whatsapps, há um movimento chamado O2O, Online to Offline, que preconiza a necessidade de sairmos do ambiente virtual para o presencial, para o olho no olho e o cara a cara. Plataformas como airbnb, por exemplo, são o exemplo clássico disto. O pacote ou a viagem pode ser comprada 100% online, mas o clímax, o momento que faz toda a diferença e se transforma numa excelente ou péssima experiência é o momento da estadia. Assim é na maior parte dos negócios. O famoso tête a tête é o que verdadeiramente expande.

Portanto, minha amiga, se programe e sai do seu casulo. Se permita abrir as asas e voar. Mostre toda a sua beleza, seu potencial, se apresente, conheça pessoas, fale do que você faz com paixão e não esqueça o seu cartão de visitas em casa. Um dia, alguém muito importante vai agradecer ter lhe conhecido num coquetel, numa exposição, num congresso, numa rodada de negócios ou até mesmo numa festa de 15 anos, numa bodas ou num casamento. Esteja sempre pronta para deixar a sua marca.

A Mulher Acolhedora

A Mulher Acolhedora

As deusas são a representação dos arquétipos femininos. O conceito de arquétipos surgiu em 1919 com o discípulo de Freud, Carl Gustav Jung. Segundo ele, os arquétipos são uma repetição progressiva de geração em geração. São crenças e comportamentos que armazenamos, o famoso Inconsciente Coletivo.

Os Arquétipos são fontes dos nossos padrões emocionais, de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos. Os arquétipos femininos estão muito ligados a tudo o que pensamos e como nos comportamos. Jean Shinoda Bolen dividiu as deusas em três categorias: as virgens, as vulneráveis e as alquímicas. As deusas virgens representam as mulheres que não são “penetráveis”, ou seja, não são dependentes de uma relação com o homem. Três são as deusas virgens: Artemis desperta a mulher esportista, livre, símbolo da sororidade, que é cercada de amigas, caçadora que tem foco e persegue seus objetivos. Já Atena nos revela a mulher que luta com sabedoria, inteligência, que é estrategista, muito reflexiva e é o símbolo daquela mulher justa que procura não julgar o outro. A terceira deusa virgem é Héstia, é irmã de Zeus e é a deusa guardiã do fogo, da pira doméstica, protetora das cidades e do Estado.

A origem da sociedade humana, como a conhecemos atualmente, ocorreu a partir do momento em que o Homem passou a dominar o fogo. O fogo que afugenta todos os animais, se não for em situação de risco, para o homem tem o poder de atração. O fogo que era comum nas lareiras e fogões à lenha dentro das casas aproxima as pessoas, traz aconchego e calor.

O fogo tem seus simbolismos nas mais diversas culturas.Há tribos árabes que acendem as fogueiras e saltam, repetindo o salto sete vezes. Além de julgarem o fogo purificador. No Zoroastrismo, o fogo é um símbolo da sabedoria e luz divinaOs Templos de Fogo mais importantes do Irã e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente. Uma das mais marcantes referências do fogo na Bíblia, trata-se da sua associação à presença Divina na vida do cristão. Logo após a crucificação e ascensão de Cristo aos céus os apóstolos permaneceram reunidos em oração. Naquele momento de intensa devoção todos foram cheios da presença do Espírito Santo que estava manifesto sobre suas cabeças como pequenas labaredas de fogo (ver Atos dos Apóstolos 02: 2-4)

Héstia é a mais velha de todos os deuses do Olimpo. Irmã de Zeus. Héstia é uma mulher que simplesmente “é”. Uma mulher que não está ligada às questões materiais e que é conhecida pela sua “simplicidade”. Introspectiva, Héstia é uma mulher que se completa dentro de si, que é inteira e “centrada”. De poucas ações, é mais reconhecida pelas suas virtudes: leveza, suavidade, tolerância, serenidade, dignidade, calma, segurança, estabilidade, acolhimento e equilíbrio. Héstia tem a consciência focada para seu próprio interior, portanto, mais subjetiva. Ela é o arquétipo da mulher que valoriza o lar, que aprecia tomar conta de casa. Gosta de fazer as tarefas domésticas para agradar a si mesma. Héstia é a mulher quieta, reservada, calma, introvertida e aprecia a solidão, a sua companhia.

O processo de Coaching é em si um processo de autoconhecimento, de uma viagem interior e de um despertar do que está no inconsciente. Despertar Hestia é despertar a mulher acolhedora, que aquece corações com seu calor, é ser aquela que ouve com atenção e dá o seu colo para que o outro nele repouse. A mulher Hestia é a mulher que cuida do ambiente, que o torna agradável e confortável. Portanto, para despertar Hestia, sugiro que você:

  1. Adote uma prática de meditação diária;
  2. Limpe sua casa, sua estação de trabalho, seu carro criando ambientes de harmonia;
  3. Pratique o ouvir paciente. Ouça as pessoas, ouça seu coração, ouça suas intuições;
  4. Aqueça o seu lar com uma vela, uma lareira, uma boa música, uma comida ou uma bebida quentinha´;
  5. Ofereça seu ombro amigo a quem precisar.
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