por Cris Ferreira | ago 2, 2017 | Artigos
Recentemente, assisti ao monólogo “Frida Kahlo, a deusa tehuana” com a atriz Rose Genaro, sob a direção de Luis Antonio Rocha. Uma obra inspirada na vida da artista mexicana que sofreu de poliomielite e aos 18 anos teve uma barra de ferra penetrada no seu corpo, num acidente com um ônibus. Frida se casa com Diego Rivera com quem tem uma relação de idas e vindas. Ambos vivem outros casos de amor e Frida tem como um de seus amantes o russo Trotsky que vai ao México fugindo de Stalin. Fisicamente debilitada e sentindo fortes dores, Frida é uma mulher que vive uma profunda dor da alma. Seu amor por Diego a faz ir ao que há de mais profundo, ao abissal. Imersa na sua dor, Frida produz uma obra marcada, sobretudo pelos autorretratos.
Perséfone é a deusa da agricultura da mitologia grega, mas é também conhecida como a rainha das trevas. Raptada por Hades, o senhor dos mortos, é levada para as profundezas. Demeter, a mãe de Perséfone, sofre profundamente ao ser afastada da filha e deixa a terra infértil. Zeus faz um acordo com Demeter para que a terra volte a dar frutos e determina que Hades devolva Perséfone à sua mãe. Hades só aceita na condição de que ela volte para o reino das trevas num determinado período do ano que é o inverno. Sempre que retorna ao Olimpo para estar perto de sua mãe chega com ela a primavera. Apesar de ter uma relação conturbada com Hades, Perséfone nutre por Hades um forte amor.
Frida parece ser um exemplo humano do arquétipo de Perséfone. Esta mulher que vai ao fundo do poço. Ambas são levadas por um grande amor e é nas profundezas que ela se permite se conhecer. O inverno de Perséfone é também o símbolo do mergulho em si mesma, do momento em que ela é capaz de fazer uma “viagem” interior e profunda. Perséfone personifica aquela que busca o autoconhecimento e que busca compreender os seus próprios sofrimentos. Mas depois do inverno vem a primavera. Perséfone emerge e a terra fica fértil novamente. Este é o arquétipo que simboliza a mulher que revela os seus mistérios, que dá flor. É o símbolo da mulher que amadurece e dá fertilidade. É também o da intuição.
Igualmente, Frida mergulha em suas dores físicas, seus pensamentos e sentimentos são negativos. No abissal tem que encarar as suas sombras, as trevas e viver o seu inverno. É um caminho necessário na estrada do autoconhecimento e ela pinta seu autoretrato. A nossa inteligência emocional está em sair do inverno para a primavera, em não querer controlar as emoções negativas, mas em reconhecê-las, se necessário, vivê-las e, acima de tudo, em percebê-las e transformá-las. É estar preparada para a beleza, a fertilidade e a revelação da primavera. Seus quadros são recheados de flores e de cores. Frida sofre a sua infertilidade e a incapacidade de gerar um filho. Numa de suas mais belas obras, ela está amamentando um bebê num seio que é como um buque de flores.
Neste caminho do autoconhecimento, o arquétipo de Perséfone revista não só a vida de Frida Kahlo, mas de todas nós. Despertar nossa Perséfone, é nos permitir ir ao profundo, viver talvez um inverno que nos desafia a trazer à superfície uma mulher madura, que floresce e que deixa frutos. Mesmo que os frutos de Frida nao tenham sido os filhos que ela desejou ter, sua obra é a primavera que desejamos. Um legado nao só pelo acervo de suas pinturas e de seus textos, mas o legado de uma mulher que esteve sempre muito à frente de seu tempo e quiçá à frente dos tempos de hoje.
por Cris Ferreira | jul 5, 2017 | Artigos
Como lhes prometi inicialmente, vamos falar sobre os arquétipos femininos representados pelas 7 deusas do Olimpo e através delas nos reconhecermos e nos descobrirmos.
Atena que é filha de Zeus, o deus de todos os deuses, e não conheceu sua mãe, Métis. Segundo a mitologia grega, Atena nasceu da cabeça de Zeus e, por isso, ja nasceu adulta. Atena é a deusa da sabedoria e das artes. É também o símbolo da guerra. Mas é uma mulher que luta com as armas da inteligência e da estratégia. As mulheres tipo Atenas são lógicas, estrategistas, racionais, práticas, desinibidas, seguras, não se deixam levar por emoções e sentimentos.
Despertar Atenas em nós é um caminho para o despertar da consciência. É desenvolvermos a nossa capacidade de agirmos menos com as emoções e mais com a razão. A mulher de Atenas é a mulher quem tem uma enorme habilidade de conseguir o que quer (de vencer a guerra) com sabedoria e usando as melhores estratégias. E o processo de autoconhecimento e autoestima está exatamente na nossa capacidade de reconhecermos as nossas emoções e controlar os nossos sentimentos. Atena é a mulher guerreira que equilibra a sua força com inteligência lógica, diplomacia e estratégias mais racionais e práticas que não a deixam ser levada por tempestivas emoções ou sentimentos que a prejudiquem.
Artemis, a deusa caçadora nos fez pensar sobre a importância de ter foco, de saber onde queremos chegar e como atingirmos nossos alvos. Mas e ai? Só querer, só planejar não basta. Precisamos saber como fazer. Qual a melhor estratégia usar. Por exemplo, se você estiver querendo se desligar, cortar relações com alguém, qual a melhor estratégia? Será que é promovendo uma “guerra”, uma briga, ou usando uma estratégia mais inteligente de forma que você não se desgaste e também não ganhe um inimigo? Como é que você deve fazer isso? Qual a melhor hora? Qual o tom de voz? Você já pensou que as pessoas que tomam decisões mais racionais saem menos machucadas e, consequentemente, machucam menos as outras pessoas também? Quando agimos movidos por fortes emoções ou somos muito intempestivas, em geral, o resultado é desastroso, seja na área pessoal ou profissional.
Para despertar a Atena em você e se tornar essa mulher mais sábia, te desafio hoje a aprender alguma coisa nova. Não importa o que seja. Leia uma matéria no jornal de um assunto que não domina muito ou não gosta; assista a um vídeo de uma palestra (o TED TALK tem palestras bem curtinhas com os temas mais diversos possíveis); comece a ler um livro; converse com alguém que nunca conversou ou converse com alguém mais velho, peça que lhe fale alguma coisa sobre a vida. Sei lá… o desafio é seu. Mas faça alguma coisa hoje que vá lhe deixar com a sensação de que está mais sábia, que aprendeu alguma coisa nova.
Tire um tempinho e pense na melhor estratégia que deve traçar para alcançar o que quer. Por exemplo, se quer comprar um carro, qual a melhor estratégia? Poupar ou fazer um financiamento? Se for poupar, quanto deve poupar por mês, por quanto tempo ira poupar, onde vai aplicar seu dinheiro, etc? Se for financiamento, onde vai financiar, quanto vai financiar, quanto vai pagar por mês, como vai arrumar o dinheiro para as mensalidades, etc. Use a ferramenta dos 5Ws 2Hs, pergunte sempre O que, onde, como, quando, quem (com quem ou para quem), quanto vai me custar, por que?
Atena é também a deusa da justiça, mas pode ser muito racional e muitas vezes fria e calculista. O desafio é equilibrar esse senso de justiça com uma dose de mais sensibilidade à dor do outro. O que nos diferencia dos animais irracionais é exatamente a nossa capacidade de poder pensar, refletir e racionalizar. Mas, estamos sempre num processo de amadurecimento e de crescimento, não é mesmo?
Muitas vezes, nós queremos que as pessoas sejam como a gente. Queremos que as pessoas pensem, ajam, falem como nós e que gostem das mesmas coisas que gostamos. Pior ainda é quando não somos capazes de entender que o outro tem uma historia, valores, experiências diferentes das nossas e julgamos o tempo todo.
Quando julgamos é como se estivéssemos apontando o dedo para o outro, vendo nele ou nela vários defeitos. Mas é também como se estivemos nos colocando acima do bem e do mal e acreditando que não temos defeitos. Mas esquecemos que quando apontamos um dedo para o outro, ha três apontados para nós e um apontado para cima.
Fala verdade se você não já fica muito chateada quando alguém lhe julga? Desenvolver mais empatia, ou seja, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de termos mais compaixão e de não julgar é mais um dos exercícios diários que precisamos fazer se queremos nos sentir melhores e se queremos melhorar as nossas relações, sejam elas com quem for.
Desejo que você desperte ainda mais o seu senso de justiça, a força dessa mulher guerreira que age com inteligência, usando sempre as “armas” da sabedoria e da razão. Que você desperte e descubra a Atena que há em você.
P.S. Se você quiser receber meu ebook gratuitamente:“Como despertar os 7 arquétipos femininos e gerar equilíbrio, transformação e realização pessoal e profissional na sua vida” basta enviar um email para ianefa@yahoo.com.br. Aguardo você!
por Cris Ferreira | jun 10, 2017 | Artigos
“Svend Brinkmann, professor da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, autor do livro “Stand Firm: Resisting the Self-Improvement Craze” (em tradução livre, “Fique firme: Resistindo à mania do autodesenvolvimento”), é crítico ferrenho da psicologia positiva e da crença de que a felicidade é uma escolha”.
Essa é a introdução da matéria da exame.com intitulada “Por que este professor quer que você demita seu Coach”. A entrevista apresenta a opinião do professor e pontos que valem uma ampla reflexão. A começar pelo titulo, há que se especular as razões que levariam o coachee a demitir seu coach. Obviamente, que num primeiro momento, podemos pensar até que porque a remuneração do coach é alta. Mas, esta não é uma razão sequer cogitada na entrevista. Então, quais seriam as razões?
De acordo com a matéria, “o professor afirma que parte da indústria da autoajuda só contribui para reforçar o problema que ela própria diz combater: a infelicidade causada pelo individualismo e pelo desinteresse em soluções coletivas.” Para o professor, um processo de autoconhecimento e de autodesenvolvimento levam as pessoas para o caminho do individualismo e do egoísmo.
Particularmente, tenho uma certa dificuldade e diria ate resistência com a maioria dos livros de autoajuda porque todos seguem um “gênero” muito particular que é similar a um livro de receitas e de fórmulas milagrosas até porque o próprio termo auto(self) está relacionado a si próprio. Assim, teoricamente, um livro de autoajuda seria algo impossível de ser lido ou capaz de ajudar qualquer outro que não fosse o próprio autor. Mas o tema central da entrevista é a felicidade e a forma como ela é abordada.
Ao ler a entrevista, fico pensando o quanto vários autores, filósofos, escritores e pessoas comuns têm se incomodado e tentado negar a possibilidade de uma verdadeira “felicidade”. Me parece que há uma corrente de pensamento que banaliza a felicidade e ridiculariza as pessoas que se dizem felizes. Se eu me declaro ou demonstro ser feliz, alem de incomodar profundamente as pessoas, passo sempre por ridícula ou boba-alegre e consigo ver até uma interrogação estampada nos rostos das pessoas que questionam: como ela pode ser tão feliz? Ora, vivemos a era dos antidepressivos e ansiolíticos. Para as pessoas que são extremamente tristes ou ansiosas há sempre uma droga que lhes ajuda a controlar os sintomas. Fico imaginando que em breve irão inventar uma droga para as pessoas que são felizes que deve ser um “antifelicidade”.
A grande confusão, ao meu ver, parece estar no fato de a maioria das pessoas, inclusive filósofos, autores, escritores, etc, associarem a felicidade à ausência de problemas. Se fosse assim, todas as pessoas ricas e bem-sucedidas seriam felizes e as pobres de recursos financeiros um poço de infelicidade. Mas, não é bem assim. Não é raro ver estampado nos rostos de pessoas muito pobres sorrisos largos como também não é raro ver os hospitais e clinicas psiquiátricas com seus estacionamentos lotados de carrões importados e madames e colarinhos brancos nas suas recepções. Sendo assim, como não acreditar que a felicidade não possa ser encontrada numa viagem pelo autoconhecimento e autodesenvolvimento? Como não acreditar que é uma escolha individual e até uma questão genética?
O professor também defende que as pessoas que passam por um processo de autodesenvolvimento para se tornarem mais felizes não têm interesses pela coletividade. Em Marcos 12:31, um dos mais conhecido parágrafos da bíblia, diz: “amará a teu próximo como a ti mesmo”, um clássico pensamento de que para amar ao próximo é preciso primeiro amar a ti mesmo. E como amar a ti mesmo sem se conhecer? O aforismo “Conheça a ti mesmo” que é em muitas biografias atribuído a Sócrates, mas que também pode ser de Thales de Mileto, Eráclito ou Pitágoras, é um pensamento filosófico que está ligado ao autoconhecimento que tem como complemento “e conhecerás os deuses e o universo, tornando ainda mais nobre a arte do autoconhecimento que nos faz aproximar até dos deuses”.
Vários estudos da área de psicologia têm demonstrado a importância da autoestima nas relações interpessoais. Ao que tudo indica, as pessoas com autoestima mais elevada tendem a ter melhor qualidade nas suas relações sociais e afetivas. O que vai totalmente contra a teoria do mencionado professor dinamarquês de que as pessoas que buscam e passam por um processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento são menos preocupadas com o coletivo. Ele defende que as pessoas deveriam ser mais preocupadas com o coletivo em primeiro lugar mesmo que abdiquem de si mesmas. Ele cita o exemplo das máscaras em caso de despressurização no avião e defende que antes de colocar sua máscara as pessoas deveriam olhar se o piloto está na cabine do avião. Fico aqui imaginando o caos que seria se ao invés de colocarem as suas máscaras, todos os passageiros fizessem um esforço coletivo e invadissem a cabine para pilotar o avião.
Na minha modesta opinião, mas ja com uma prática como coach e uma história de vida que me obrigou a fazer um profundo trabalho de autoajuda, de autoconhecimento e de autodesenvolvimento quando me vi diante do diagnóstico de uma doença grave e incurável que é a Esclerose Múltipla, vejo uma sucessão de equívocos e sou obrigada a discordar de quase a totalidade do pensamento de Svend Brinkmann. Foi a partir de atividades e exercícios que me ajudam a me manter mais saudável e a elevar minha autoestima que consegui desenvolver trabalhos de ajuda a outras pessoas e a grupos. Não são raros os casos de pessoas que conheço que por estarem mais maduras, mais autoconfiantes e mais seguras consigo mesmas conseguem ajudar e desenvolver trabalhos para o coletivo maravilhosos.
O professor continua suas criticas à psicologia positiva, ao “mindfullness” ou “atenção plena” e deve ser critico também à meditação. Os estudos da neurociências e da psicologia têm revelado que as pessoas pensam o tempo todo, ou seja, o cérebro não silencia nem mesmo durante as práticas de meditação. O fato é que os pensamentos que mais ocupam o cérebro e, consequentemente, o dia das pessoas, são os pensamentos negativos, que acabam levando a ansiedade, depressão, pânico, etc. O medo e a insegurança das pessoas é infinitamente maior do que a real probabilidade de uma catástrofe ou “desgraça” acontecer. Entretanto, estudiosos de física quântica preconizam que somos um campo enérgico capaz de atrairmos e cocriarmos a realidade. Assim, o que pensamos, acreditamos e falamos é de alguma forma enviado para o Universo que, na maioria das vezes, diz sim. Pelo sim, pelo não, melhor seria então que trabalhemos as nossas mentes para que ocupemos o nosso cérebro com pensamentos positivos, não é verdade?
O psicólogo inglês, Guy Winch, afirma que precisamos praticar o que ele chama de “higiene emocional” diariamente assim como escovamos os dentes e tomamos banho. Para ele, no que diz respeito às emoções tendemos a não praticar os primeiros socorros como acontece quando nos machucamos. Ao invés de estancarmos as feridas como fazemos fisicamente, quando se trata de feridas emocionais costumamos cutucá-las e dilacerá-las cada vez mais.
Para o professor dinamarquês, as pessoas que pensam em si não são capazes de pensar no coletivo. Minha questão é, como me dizer preocupada com o coletivo se não penso e não me preocupo comigo? Se estou emocionalmente dilacerada não há, a meu ver, a menor possibilidade de ajudar quem quer que seja. Ele diz que o trabalho de Coaching tem a raiz na competitividade esportiva o que me parece uma distorção e um equívoco no seu modo de entender até mesmo a definição de coach. O coach, enquanto técnico ou profissional de liderança de algum esporte, é aquele que muitas vezes, no caso de esportes coletivos, tem que trabalhar focado no resultado coletivo sem momento algum perder a atenção e o cuidado de seu trabalho com cada indivíduo e suas peculiaridades. No caso do futebol, por exemplo, o coach de um time é aquele que precisa potencializar as virtudes do indivíduo. Não dá para desenvolver um trabalho coletivo e treinar todos os jogadores para serem goleiros, por exemplo. A coletividade assim como os estudos de equipes de alta performance mais do que comprovam que é do autodesenvolvimento do indivíduo, cada qual com suas peculiaridades que se chega a resultados altamente satisfatórios para o coletivo e para o indivíduo.
Finalmente, quero ressaltar aqui que um estudo realizado com o monge budista, Matthieu Ricard, por neurocientistas e pesquisadores da Universidade de Wisconsin nos EUA, declara o homem mais feliz do mundo e atribui isso às suas práticas de meditação. Matthieu é PhD em genética e se converteu ao budismo. Ele desenvolve vários projetos humanitários o que reforça a tese de que passar por um intenso e regular processo de autoajuda, de autodesenvolvimento com práticas diárias de meditação não o transformou numa pessoa mais egoísta. Muito pelo contrário, a sua felicidade está também ligada à sua alta compaixão, amor pelo próximo e altruísmo.
Por ser mãe de dois filhos, divorciada e portadora de Esclerose Múltipla seguirei firme nas minhas práticas de autoconhecimento, autoajuda e autodesenvolvimento porque são elas que têm me mantido saudável física, mental e emocionalmente. Como coach, palestrante e professora peço aos meus coachees e clientes que não me demitam, mas que me permitam trabalhar às suas individualidades para que juntos possamos servir à coletividade. Não tenho a menor dúvida de que as pessoas realizadas, felizes e bem sucedidas são aquelas que estão bem consigo mesmas em primeiro lugar, mas tendo sempre o segundo lugar para servir ao outro.
por Cris Ferreira | maio 10, 2017 | Artigos
A deusa Artemis é a deusa da mitologia, símbolo da mulher caçadora. Ela era filha de Zeus, o maior e mais poderoso de todos os deuses do Olimpo, e de Leto, conhecida como a deusa do anoitecer, da maternidade e protetora das crianças. Ainda criança, Artemis ganhou de seu pai Zeus um arco e as flechas. Foi conhecida como a melhor caçadora entre deuses e mortais. Sempre que é representada está carregando seu arco e as flechas. Pronta para perseguir os seus alvos. E você tem foco? Você tem metas e objetivos definidos? Sabe exatamente qual é o seu alvo? Sabe qual o caminho que deve tomar?
Por que devemos ter metas, objetivos e foco na vida? Dados de seguradoras apontam que 70% das pessoas que se aposentam morrem, em média 2 anos depois, quando não encontram uma atividade produtiva. Uma contribuição da neurociência sobre metas e objetivos está ligada ao que os neurocitentistas chamam de Atenção Focada, ou seja, ao fato de que o nosso cérebro precisa de uma espécie de “bússola” para se orientar. Viver o presente é importante, mas ter projetos de vida e a perspectiva de futuro melhor ativa um outro sistema do cérebro chamado Sistema de Recompensa que é o grande responsável pela motivação.
Quando vivemos muito focados no passado e não percebemos perspectivas no futuro, nem conseguimos dar sentido ao nosso presente, desenvolvemos doenças como melancolia ou depressão. Assim, o passado domina nossas atividades mentais e nossas emoções. Desejamos o tempo todo reviver ou reencontrar aquilo que ja passou e nunca mais voltará. Ao contrário, quando vivemos excessivamente focados no futuro, corremos o risco de desenvolver uma síndrome de ansiedade que pode desencadear problemas psíquicos e físicos graves como síndrome do pânico, taquicardia e até enfarto.
Gosto muito da metáfora do veículo porque imagino que nossas vidas deveriam ser guiadas como guiamos um carro. Você é quem está na direção. Se vai fazer uma viagem deve se preocupar com todas as condições do aqui e agora. Deve fazer a revisão, verificar os pneus, definir a melhor rota. Quando pega no volante, ajusta o espelho retrovisor e, de tempos e tempos, olha nele, principalmente quando vai fazer uma ultrapassagem. O espelho retrovisor simboliza o nosso passado. Ele deverá estar sempre ali, mas não é maior que o carro e nem maior que o vidro dianteiro. Quando desejo tomar alguma decisão (ou seja, fazer uma ultrapassagem, por exemplo), ele me indica se devo ou não ir, baseado nas experiências que acumulei. Já o vidro dianteiro é muito maior. É importante que me mostre com mais clareza o caminho. Sei que tenho um destino, mas não consigo ver o fim da viagem. Para que chegue com segurança, enxergo partes da estrada. O seu destino é o seu objetivo final, a sua meta é chegar ao seu destino com segurança e no menor tempo possível. Se a viagem for longa, você sabe que terá que fazer várias paradas. Terá que parar para abastecer, para se alimentar, para esticar as pernas e evitar uma trombose, para fazer xixi… Assim também devem ser as nossa metas. Quanto maior e mais longo for o prazo do seu objetivo, você precisará definir os objetivos de curtíssimo, curto e médio prazos.
E aí, você topa o desafio de tomar a direção da sua vida ou vai deixar alguém lhe conduzir por um caminho que você nem sabe bem qual é?
Bora despertar esta Artemis Caçadora em você.
por Cris Ferreira | abr 12, 2017 | Artigos
No dia 01 de abril, lancei um desafio de 21 dias de autoconhecimento e autoestima para mulheres. Nestes 21 dias, desafio as mulheres a despertarem em si as virtudes das 7 deusas gregas que representam os arquétipos femininos.
Foi a médica e psiquiatra, Dra. Jean Shinoda Bolen, quem agrupou os 7 arquétipos femininos da mitologia grega em três categorias: As deusas virgens: Artemis, Atena e Héstia; as deusas vulneráveis: Hera, Demeter e Perséfone e a deusa alquimia ou transformadora que é Afrodite.
Na verdade, as deusas são a representação dos arquétipos femininos. O conceito de arquétipos surgiu em 1919 com o discípulo de Freud, Carl Gustav Jung. Segundo ele, os arquétipos são uma repetição progressiva de geração em geração. São crenças e comportamentos que armazenamos, o famoso Inconsciente Coletivo.
Os Arquétipos são fontes dos nossos padrões emocionais, de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos. Os arquétipos femininos estão muito ligados a tudo o que pensamos e como nos comportamos. As deusas gregas são a representação dos arquétipos femininos. O conceito de arquétipos surgiu em 1919 com o discípulo de Freud, Carl Gustav Jung. Segundo ele, os arquétipos são uma repetição progressiva de geração em geração. São crenças e comportamentos que armazenamos, o famoso Inconsciente Coletivo. À medida que conhecemos os arquétipos, conhecemos a nós mesmas.
O termo virgem nos arquétipos não está ligado à virgindade sexual. As deusas virgens têm como características serem mulheres independentes, que não pertencem ou são “impetráveis” ao homem, que não dependem da aprovação de um homem e se sentem meio que “autossuficientes”. Artemis e Atena são arquétipos de mulheres voltadas para o exterior e autorrealização. Já Hestia, voltada para o seu interior. Enquanto Artemis representa o corpo sempre em movimento, Atena a mente reflexiva, Héstia é o símbolo da introspecção e do coração, do que está no centro.
As deusas vulneráveis que são Hera, Demeter e Perséfone. Sao vulneráveis porque dependem de relacionamentos, estão e precisam estar ligadas a alguém. Hera representa a esposa, mulher muito ligada ao marido, ao companheiro. Demeter representa a mãe, extremamente ligada aos filhos. E Perséfone representa a filha ligada à mãe.
A deusa alquímia é Afrodite, a deusa do amor, e tem a consciência focada e receptiva. Alterna nas características e aquela que está ligada à beleza, atração erótica, sensualidade, sexualidade e vida nova. Afrodite á mulher que procura intensidade nos seus relacionamentos.
Hoje, quero sugerir que comecemos uma série de artigos, com o despertar de uma deusa por mês. Sugiro que comecemos com Atena que é filha de Zeus, o deus de todos os deuses, e não conheceu sua mãe, Métis. Segundo a mitologia grega, Atena nasceu da cabeça de Zeus e, por isso, já nasceu adulta. Atena é a deusa da sabedoria e das artes. É também o símbolo da guerra. Mas é uma mulher que luta com as armas da inteligência e da estratégia. As mulheres tipo Atenas são lógicas, estrategista, racionais, práticas, desinibidas, seguras, não se deixam levar por emoções e sentimentos.

O nosso cérebro possui dois hemisférios, o lado esquerdo, que bem a grosso modo, seria o que controla os pensamentos mais analíticos, mais racional, e o lado direito, o lado mais criativo, mais emocional. Somos pessoas saudáveis e inteiras. Portanto, temos um cérebro que tem estes dois lados que se completam. A primeira crença que devemos eliminar de nossas vidas é a de que mulher é emocional e homem é racional. Ambos, temos a capacidade de desenvolver as habilidades que quisermos.
Outra informação interessante é a de que o cérebro é responsável por todas as atividades que executamos no nosso corpo? Você sabia que antes de fazer qualquer movimento, em algumas frações de segundo o cérebro sabe qual será o movimento que você vai fazer? Um trabalho realizado em 2008, pelo psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores com voluntários corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente. Isso quer dizer que se você tiver diante de um brigadeiro e de um bombom de morango, antes de escolher qual vai colocar na boca, o seu cérebro ja sabia qual você iria escolher.
Emoções e sentimentos são duas coisas diferentes. As emoções como medo, raiva, tristeza, alegria fazem parte da natureza humana e são essenciais até para a nossa sobrevivência. As emoções são inconscientes e involuntárias. Não podemos controlá-las. Se você vir o seu namorado ou marido beijando uma outra mulher, vai ficar com as pupilas dilatadas, sudorese, rubor na face, um aperto no coração… A partir dai, você pode sentir raiva, tristeza, nojo… Mas, o que você vai fazer com essas emoções e como vai transformá-las em sentimento é diferente. Você pode sentir uma vontade enorme de sair correndo, você pode sentir vontade de voar no pescoço daquele homem ou daquela mulher, você pode se aproximar elegantemente do casal e dizer elegante para o “bofe”: já vai tarde ou “quem gosta de carniça é urubu. Faça bom proveito, querida!”. Enfim, administrar nossos sentimentos e nossas ações é um processo de autoconhecimento, consciência e “inteligência” .
Eu vou te contar o que aconteceu comigo quando descobri que só tinha 5% da visão do olho direito causado por um descolamento de retina. Ao receber a noticia, fiquei obviamente triste e preocupada. Imediatamente, o médico disse que faria o mesmo exame no olho esquerdo. Ai, me disse que o olho estava muito saudável e a visão, ótima. Naquele momento, meu foco mudou completamente. Me senti feliz e grata demais por ter um olho saudável que me permite enxergar e realizar minhas atividades cotidianas sem dificuldades. Ou seja, ressignifiquei a minha realidade, ao meu ver com sabedoria. Entrei nessa guerra com um aliado que é o meu olho esquerdo saudável e lutei contra a revolta, a frustração, a tristeza que poderiam ter me abatido.
O nosso cérebro nos dá algumas frações de segundos para que possamos decidir como vamos agir. Por isso que sempre que vamos tomar uma decisão importante não devemos fazer por impulso. Se pararmos por um momento, respirarmos fundo e até interrompemos uma discussão para tomar uma água, muitas das nossas decisões seriam diferentes e mais acertadas.
O despertar de Atena é o despertar da consciência, da inteligência, da estratégia que nos ajuda a fazer as coisas com muito mais benefícios para nós mesmas. Bora despertar a Atena que ha em nós?
por Cris Ferreira | mar 15, 2017 | Artigos
Se o que entendemos como sucesso está ligado à prosperidade financeira e à ascensão profissional, esta ainda é uma realidade mundial. Na lista das 30 pessoas mais ricas do mundo, segundo a Bloomberg de setembro de 2016, encabeçada por Bill Gates com um patrimônio de U$72.9 bilhões, apenas 3 mulheres aparecem. Em 9º lugar, está a herdeira do grupo WalMart, Christy Walton com uma fortuna de U$36.5 bilhões, seguida de Liliane Bettencourt da L’Oreal com U$31,9 bilhões e em 29º, Jacqueline Mars, herdeira do grupo Mars. No Brasil, a primeira mulher a aparecer na lista dos 30 mais ricos do Brasil ocupa o 17º lugar e é Maria Helena de Moraes Scripilliti, herdeira de Antonio Pereira Ignacio, fundador do grupo Votorantin. Assim como acontece com todas as “minorias” das sociedades mundo a fora, muitas das oportunidades que foram concedidas aos homens e brancos, chegaram tardiamente para as mulheres e negros/as. E só foram conquistadas com movimentos de luta que hoje colhem alguns frutos e caminham para maior igualdade de direitos humanos, principalmente em países ocidentais.
No Brasil, as mulheres só tiveram direito de frequentarem uma escola nos anos de 1827 e só entrarem para uma universidade em 1879. Atá então, lugar de mulher era literalmente na cozinha e no lar. A imagem da mulher bela, recatada e do lar era o que se valorizava e a mulher era excluída até das conversas onde os homens estavam. A mulher era educada para ser “prendada” do lar e servir ao homem sempre com discrição. Apesar de ter travado uma luta que se arrasta por décadas e ter conquistado direitos como o de votar, participar de olimpíadas e até de se alistar ou fazer concursos para funções historicamente ocupadas apenas por homens como juízes e delegados, o Brasil (e o mundo) ouviu o discurso do presidente Michel Temer em que ele diz: “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher […] ela é capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados e identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”. A fala do presidente foi criticada não só nas nossas terras, mas também pela imprensa internacional como CNN, El Pais, The New York Times, The Telegraph, The Independent entre outros que ressaltaram o quanto o presidente foi infeliz em sequer reconhecer a importância da data que celebra a luta histórica por igualdade de direitos em todo o planeta.
Um posicionamento machista como do presidente, o comportamento preconceituoso e desrespeitoso com as mulheres estão impregnados na nossa sociedade. Maior que a luta pelos direitos, muitos dos quais ja estão garantidos pela constituição, que foi um grande avanço no que diz respeito à igualdade de direitos humanos, descrita na carta magna de 1988 e que foi uma conquista da luta de movimentos feministas, é a luta cultural. Dia a dia, nos deparamos com ataques e violência contra a mulher das mais variadas formas. Não bastasse a violência fisica, moral, psicológica, patrimonial que muitas mulheres enfrentam dentro de suas próprias casas e de todos os tipos de assédio nos ambientes de trabalho, independentemente de classe social, cultural ou financeira, a mulher é violentada cotidianamente com musicas que fazem dela um objeto de prazer, descartável e disponível que não tem o menor valor, piadas de extremo mal gosto e cunho altamente machistas, propagandas de produtos dos mais variados, e por aí vai…
Mais estarrecedor ainda é o fato de que o machismo não é um “privilégio” dos homens, mas sim de muitas mulheres que replicam as crenças e comportamentos de que a mulher é inferior ao homem e, por isso, deve aceitar ser subjugada, desvalorizada e mal tratada. O machismo que começa na infância quando o menino não pode brincar de casinha nem de boneca e, portanto, reforça o modelo de que homem não pode participar dos afazeres domésticos nem dos cuidados na criação do filho, também proíbe a menina de ganhar um carrinho ou caminhão e reforça a sua impossibilidade de poder atuar em profissões ou tarefas ditas masculinas.
Obviamente que muitos destes paradigmas foram quebrados e muitos pais e mães têm lutado para criar seus filhos com a maior igualdade possível. Obviamente também que muito do comportamento mais culturalmente sem preconceitos de mulheres e homens e da ascensão da mulher em inúmeros segmentos da sociedade se deve às lutas que foram travadas mais fortemente nos anos de 1920, 1960, 1970 quando as mulheres precisavam queimar sutiãs em praça publica ou se fazerem passar por homens para poderem participar como atletas dos jogos olímpicos ou conseguirem algum emprego. Se hoje, podemos frequentar uma faculdade, atuarmos em varias frentes profissionais e até ter o direito de ir e vir é graças aos movimentos feministas, muitos dos quais contavam com a participação e apoio dos homens.
O tempo dos movimentos feministas onde a força física era predominante e impulsionadora da economia ficou para trás com a revolução pós industrial. A maior força de trabalho desde então, e cada vez mais, é a intelectual. Não precisamos mais nos masculinizar porque a economia se move com as cabeças pensantes de pessoas que inovam, que arriscam, que estudam, que se qualificam, que prezam e valorizam a estética, o conforto, o belo, com líderes que reconhecem o valor do ser humano como seu maior ativo e entendem que o cuidado com os seus colaboradores e com o bem- estar físico, emocional e psicológicos destes é o que dá mais retorno e lucro para as empresas.
Estudos da Neurociência têm provado que muito pouca ou quase nenhuma diferença há entre o cérebro de uma mulher ou um homem, ou seja, no que diz respeito à cognição não há que se falar que homens são mais inteligentes ou muito mais racionais que as mulheres, o que justificaria uma maior ascensão financeira, econômica e profissional do homem e de sociedades mais masculinas. Está comprovado que o cérebro humano de homens e mulheres possuem ambos os dois hemisférios, esquerdo e direito. Portanto, se ambos temos o lado racional e o lado emocional do cérebro, usar ou desenvolver mais um lado do que o outro é uma questão muito mais cultural e ambiental do que biológica. Meninos criados por educadores, sejam eles pais, professores ou até lideres, que lhes permitam expressar suas emoções, por exemplo, para os quais nunca se diz que homem não chora ou que chorar é coisa de “mulherzinha” se tornam homens muito mais sensíveis e empáticos. Meninas que são criadas por educadores que lhes dizem que elas podem aprender qualquer coisa, que são permitidas brincar com caminhão ou ajudam o pai a trocar um pneu ou colocar os tijolos do muro da casa, são capazes de desempenhar qualquer função e fazer cálculos muito bem feitos.
O país com maior índice de igualdade no mundo, a Islândia, começou o movimento feminista e foi marcado por enorme protesto no dia 24 de outubro de 1975 quando mais de 25.000 mulheres foram às ruas pelos seus direitos e 90% das mulheres de todo o pais parou numa greve nacional não só nas empresas, mas também dentro de casa quando as mulheres deixaram de cuidar dos afazeres domésticos. Neste dia, não houve sequer comida para os maridos e o país inteiro foi obrigado a reconhecer a importância do trabalho da mulher em que ambiente fosse. O protesto também foi marcado pela luta das mulheres para maior participação na política. Em 1999, mais de um terço do parlamento é representado por mulheres. Hoje, mais de 80% das mulheres da Islândia trabalham fora graças a um programa de cotas, 65% dos universitários são mulheres, mas ainda têm desigualdades para lutar. Apenas, 22% dos gerentes de empresas são mulheres e elas ganham em média 14% menos que os homens.
No Brasil, muito já avançamos. Já somos também em maior número de universitárias, já ascendemos em profissões predominantemente masculinas, já há, embora em números modestos, muito homens que participam ativamente e igualmente nos afazeres domésticos e na criação e cuidados com os filhos. Porém, em recente estudo realizado em 145 países, o Brasil ocupa o vergonhoso 85º lugar no ranking de desigualdade de gênero. Estamos atrás dos nossos vizinhos, Chile, Argentina, Panamá, Uruguai, México e, pelo menos, outros 84 países. A mulher brasileira faz de 2 a 3 jornadas de trabalho diário, incluindo a jornada domestica. Os salários são ainda em média 30% menores do que de homem que exerce a mesma função. Dos assassinatos contra a mulher 33% são categorizados como feminicídio, e mais da metade praticados pelos cônjuges, companheiros ou pais.
O que o Coaching e empreendedorismo têm a ver com isso? Como podemos avançar para ocuparmos os primeiros lugares da igualdade? Acredito que não há outro caminho que não seja o EMPODERAMENTO das mulheres, começando com o empoderamento das meninas com pais que criem seus filhos e filhas com mais igualdade, com escolas que lhes eduquem nas ciências exatas, assim como educa os meninos e os eduquem nas ciências humanas, assim como educam as meninas. Mas, para você mulher que já é adulta, que tem crenças que te limitam e te fazem acreditar que não é capaz, que está com autoestima muito baixa porque tentou uma vida inteira se enquadrar num modelo que não lhe cabe, que ainda não sabe fazer a gestão do tempo compartilhada com seu companheiro ou o pai dos seus filhos, que não sabe negociar seu salário e seu valor porque não reconhece seu valor e não é autoconfiante o suficiente, o Coaching pode te ajudar muito e juntas podemos multiplicar uma nova cultura e novos comportamentos.
E o empreendedorismo? Este deveria estar na grade do ensino fundamental. Meninos e meninas que deveriam estar aprendendo a fazer gestão desde a gestão financeira das suas mesadas. A mentalidade e o comportamento empreendedor não so é uma porta de libertação e independência para muitas mulheres que não têm condições de conseguir um trabalho, seja por nenhuma ou pouca qualificação, seja por falta de estruturas como ter com quem deixar seus filhos. O empreendedorismo é também a formação de uma mentalidade de pessoas que pensam fora da caixa, de pensam e inovam, que não tem medo de arriscar, que são determinadas e obstinadas. Empreendedoras que podem fazer uma grande transformação nas suas vidas e de seus dependentes abrindo seus próprios negócios, mas intra-empreendedoras também que podem contribuir com novos negócios ou produtos nas empresas que trabalham.
Mulher, agradeça às e aos feministas do mundo inteiro e reverencie àquelas e àqueles que chegaram a perder suas vidas para nos deixar um legado. Os movimentos feministas tiveram e ainda têm um papel importantíssimo na evolução da humanidade e de muitos países. Ao contrário do machismo que é o pai de todos os preconceitos, o feminismo é a mâe de todos os movimentos de libertação desde os movimentos trabalhistas contra trabalhos escravos ate os movimentos LGBTQ. Que possamos ainda deixar um legado para que as próximas gerações não precisem mais discutir questões de gênero porque as diferenças não mais existirão e o que prevalecerá serão os direitos iguais para todos os Seres Humanos. Enquanto não chegamos lá, ainda precisamos parar no dia 08 de março em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres. Para você, mulher, meu respeito e meu forte abraço.
por Cris Ferreira | jan 18, 2017 | Artigos
Imagine que você ocupa um cargo para o qual foi contratado por tempo determinado. Antes do prazo terminar, você envia uma mensagem para seu superior e lhe pede uma reunião para discutirem a sua saída e a definição de quem assumiria sua posição. Entretanto, o seu superior não se manifesta, não lhe sinaliza qualquer intenção nem nome. Vocês conversam pessoalmente, mais uma vez, você expressa a necessidade de marcarem uma reunião o quanto antes. Seu superior lhe pede que passe as festas de final de ano e promete lhe contatar no inicio do próximo ano. Entretanto, logo na segunda semana do ano, você é surpreendido com um post no facebook daquele que seria seu sucessor já informando que havia tomado posse de seu cargo. Você confere todos os seus emails, seu whatsapp, msn, messenger, ligações telefônicas para se certificar de que realmente não foi oficialmente afastado do cargo.
Essa história parece a cena de uma novela, mas acontece na vida real. Estamos vivendo um momento de muito questionamento da população brasileira, em especial, sobre a conduta e postura de nossas lideranças. Os veículos de comunicação se ampliaram e não há mais quaisquer desculpas que nos permitam dizer que não houve como contatar uma pessoa. É perceptível que as pessoas têm evitado contatos presenciais e o famoso olho no olho. Não são raros os casos em que as pessoas conseguem se comunicar ou se expressar pelas redes sociais, mas apresentam um estado quase catatônico quando estão frente à frente com alguém. Mas, definitivamente, qualquer tipo de omissão, atitude não ética ou conduta inadequada por parte de um líder não pode e não é mais aceita.
Segundo o autor e conferencista, John Maxwell, no seu livro os “Os 5 níveis da liderança”, o líder é seguido e respeitado pelos seus colaboradores de forma diferente dependendo de em qual degrau dessa liderança ele está. Para ele, o primeiro degrau é o degrau “Posição” no qual a palavra chave é Direito. Se o líder está neste degrau, as pessoas só o seguem porque ele tem um crachá, um cargo, uma posição. Essa pessoa não é necessariamente respeitada nem admirada porque o respeito está ligado apenas à sua posição. Assim, este líder também terá junto a si as piores pessoas do mercado. Pessoas que têm como única motivação o que lhes trará benefícios próprios ou até mesmo um salário no final do mês.
No segundo degrau da liderança, a palavra-chave é relacionamento e o degrau é o degrau da “Permissão”. Neste degrau, as pessoas seguem o líder porque ele desenvolveu relacionamento e empatia com seus coordenadores. As pessoas o seguem porque desejam e porque o líder os influencia e os cativa com o relacionamento e confiança que construiu. O terceiro degrau é o da “Produção”. Estes líderes estão na posição que estão porque fizeram acontecer e atingiram resultados para a empresa. Seus colaboradores estão com ele porque tem um apurado senso de comprometimento com os resultados e se sentem coparticipantes. Este é um líder que está verdadeiramente junto da sua equipe.
O quarto nível é o nível do “Desenvolvimento de Pessoas”. O líder que alcança este degrau ja passou pelo degrau da produção e entende que sua hora de desenvolver pessoas e até de formar sucessores. O maior ativo da empresa para estes líderes são as pessoas e entendem que quando o foco deixa de ser apenas o resultado e passa a ser o desenvolvimento das pessoas, o resultado consequentemente passa a ser bem maior. E poucos líderes conseguem atingir o último degrau da liderança que é o “Ápice”. A palavra-chave desse nível de liderança é Respeito. Este líder é seguido por ter construído um história baseada na ética, no compromisso, no respeito às leis e às pessoas, no cuidado, na retidão, na transparência e no amor ao seu trabalho, à organização e, acima de tudo, às pessoas. Estes líderes são admirados porque têm uma carga de experiência acumulada. São pessoas que deixam um legado que transcende sua passagem pelas incorporações ou instituições. São líderes que elevam as pessoas a patamares mais elevados e transformam positivamente as pessoas.
O caso deste líder que usa sua posição e seu cargo arbitrariamente sem ter o menor respeito pelo profissional e ser humano, sem respeitar a ética e sem seguir os trâmites legais ou as condutas organizacionais é típico de um líder que usa sua posição para passar por cima de quem estiver no seu caminho. O colaborador que só teve conhecimento que não mais ocupava aquele cargo pelo Facebook usou a mesma ferramenta para entregar seu cargo ao seu superior. O que muda em tempos de redes sociais e da democratização da informação é que as pessoas, todas elas, também se apropriam destes meios para se expressarem. Os fatos saem para o lado de fora dos muros das organizações e as práticas que tentam ser feitas às escuras, sem transparência e sem a comunicação adequada caem na rede e se viralizam.
Em qual degrau você quer estar? Quais são os caminhos que quer trilhar e qual o legado quer deixar na sua vida profissional e na sua passagem por este planeta? A escolha e a forma como conduz as suas relações são todas suas.
por Cris Ferreira | jan 17, 2017 | Artigos
Auto quer dizer próprio, si mesmo, que está ligado ao eu. Em inglês, self. Na psicologia, o self pode ser consciente ou inconsciente. Self é o ego, a personalidade, o eu, o indivíduo. O psiquiatra e psicoterapeuta, Carl Gustav Jung, definiu Self como sendo o arquétipo central do indivíduo, é o centro da psique.
Já a palavra sabotagem tem origem francesa. Diz-se que a palavra vem de “sabot”, palavra francesa que dá nome a um sapato com sola de madeira, um tamanco. Uma versão não confirmada historicamente, mas pelo menos curiosa, é a de que durante as disputas trabalhistas na Europa no início do século XX, os trabalhadores jogavam os tamancos nas máquinas para estragá-las e interromper a produção.
Autossabotagem é, portanto, a capacidade que temos, consciente ou inconsciente de estragarmos a nós mesmos, ou seja, atitudes que tomamos ou deixamos de tomar que nos prejudicarão inevitavelmente. Uma das mais comuns manifestações de autossabotagem é a procrastinação, o deixar sempre para depois o que deveria ser feito aqui e agora. A procrastinação é por si uma forma de nos auto prejudicarmos e que acarreta, muitas vezes, consequências sérias e prejuízos materiais e imateriais. Quando você não paga uma conta que deveria pagar por preguiça ou desorganização, por exemplo, vai acabar tendo que pagá-la com juros e correção e, em alguns casos, ter até o serviço interrompido.
Um exemplo típico e fácil de entender é a famigerada dieta. Eu sei que preciso emagrecer, que me sinto mais disposta, mais bonita, com a autoestima mais elevada quando emagreço, mas não faço a dieta, assalto a geladeira de madrugada, digo a mim mesma que será a última vez que comerei aquele generoso bolo de chocolate e que começarei na segunda-feira. Chega a segunda-feira, e não resisto ao file à parmegiana com bastante muçarela servido no almoço.
Nas minhas práticas como Coach e treinadora de líderes de empresas de todos os portes, tenho me deparado com pessoas que não entendem porque algumas não crescem e não avançam na carreira enquanto outras têm uma jornada invejável de crescimento e ascensão. Em primeiro lugar, o que observo empiricamente é que as pessoas se auto enganam e se autossabotam contando histórias para si mesmas que as convencem não serem tão merecedoras ou que lhes apontam muito mais perdas do que ganhos.
Certa vez, me deparei com um rapaz analista de uma multinacional, extremamente dedicado e competente no seu ofício. Como trabalhava para uma multinacional sabia que para ascender precisaria estudar inglês e ficar mais fluente. Teve inclusive a oportunidade de fazer o curso na própria empresa, mas informou ao chefe que no horário das aulas, que eram apenas duas vezes na semana, teria que levar os filhos na escola, sem pensar em nenhuma outra alternativa possível, como por exemplo, levá-los um pouco mais cedo. Dedicado aos seus afazeres, nunca arrumou tempo para se aperfeiçoar, fazer uma pós-graduação, cursos de extensão, nada que o qualificasse mais e lhe permitisse galgar caminhos que o levassem a estágios mais elevados. Sentia-se pouco valorizado porque via pessoas mais novas de casa que ele sendo promovidas.
Em uma determinada ocasião, surgiu a vaga que desejava. Deveria atualizar seu curriculum e aplicar para a vaga. Todos os dias, aparecia uma desculpa nova e só conseguiu sentar para reescrever o CV na véspera do prazo que deveria entregá-lo. No dia da entrevista, passou mal com uma terrível diarreia e não compareceu.
Este é um caso típico de autossabotador. Consciente e inconscientemente, ele fez de tudo para que a promoção não chegasse a ele. O desejo que dizia ter de ascender na carreira e dentro da empresa é infinitamente menor ao medo da mudança. Inconscientemente, o medo da perda de certas amizades e relacionamentos; medo da perda de tempo livre; medo das novas responsabilidades, etc.
Portanto, eliminar o autossabotador que há em nós requer trazer à consciência o que nos aflige e nos ameaça. Nos autoconhecer e fazer perguntas a nós mesmos é um bom começo para nos libertarmos destas amarras. Observe qual é ou quais são as histórias que você conta a si mesmo. Que tanto verdadeiramente deseja o que deseja. Sou capaz de apostar que tudo que realmente desejou na vida, realizou vencendo todo e qualquer obstáculo.
Não jogue o tamanco na máquina que lhe dará o sustento que tanto precisa. Seja feliz e honesto com você mesmo em primeiro lugar.
por Cris Ferreira | nov 23, 2016 | Artigos
Calma! Não precisa ficar brava e me dizer que eu não entendo a realidade de muitas mulheres que são vítimas de todo tipo de violência ou que não estou querendo enxergar nem ser empática com milhares de mulheres que são assediadas, desrespeitadas ou violentadas.
Em primeiro lugar, quero que saiba que pessoalmente já sofri todo tipo de violência, emocional, psicológica, moral e até física. E é por isso que me sinto à vontade para lhe dizer que sair do papel de vítima pode ser difícil, mas é vital não só para você, mas para as pessoas que convivem com você e te amam. Muitas de nós não conseguem enfrentar ou se livrarem de relações ou sentimentos que as aprisionem e precisam de ajuda de profissionais como terapeutas ou coaches. Não aceitar o papel de vítima é uma decisão que exige coragem, determinação, quebra de crenças e paradigmas, autoconhecimento e um alta dosagem de autoestima.
Comece avaliando suas crenças. No que é que você acredita? Você acha que não é boa o suficiente, que precisa do outro para ser feliz, que so será feliz o dia em que o outro mudar, que precisa atender as necessidades do outro antes das suas, que felicidade não é coisa para você…? As crenças são poderosas destruidoras da nossa autoestima e reforçá-las nos enfraquece cada vez mais, nos colocando no lugar da oprimida.
Mas, há também o outro lado da vitima. Aquela que está na zona de conforto e ser vítima lhe deixa ainda mais confortável porque justifica todas as suas mazelas, sofrimento e “má” sorte pelo que o outro faz ou pelo que o Universo conspira. Nesse perfil, estão aquelas pessoas que têm crenças do tipo: na minha empresa os homens não deixam as mulheres crescerem, o meu companheiro não gosta que eu trabalhe até tarde, o Brasil é um pais muito machista e mulher não tem chance, por mais que eu trabalhe nenhum homem vai me promover. Acreditar nessas coisas tira da vítima qualquer possibilidade de transformação e mudança. Ai, ela não toma nenhum tipo de atitude para mudar a sua realidade.
Um dos casos mais emblemáticos e importantes na história de violência e de uma mulher que só conseguiu transformar a sua história e de milhares de outra é o da farmacêutica cearense, Maria da Penha Maia Fernandes, que viveu anos sendo violentamente agredida pelo seu companheiro. Numa luta incansável, quando decidiu não mais aceitar o papel de vitima e que deveria tomar as rédeas daquela situação que chegou a deixá-la paraplégica, Maria da Penha conseguiu que seu ex-companheiro fosse condenado a 8 anos de prisão e foi quem inspirou a criação da lei que leva seu nome e que aumenta o rigor das punições sobre crime domésticos. Maria da Penha é uma mulher de 71 anos de idade, símbolo daquela que se empoderou, conquistou autoestima e ocupou os espaços através de sua própria luta.
Combater as crenças que te enfraquecem, te colocam em situação de inferioridade e façam com que você aceite muito menos que merece é o primeiro passo para as suas conquistas. O primeiro passo é o caminho do autoconhecimento. Você já se perguntou se quer ser vítima ou autora da sua vida? Que autoridade você tem para decidir que caminho tomar? Você tem capacidade de transformar todas essas crenças limitantes em crenças poderosas e crenças de fonte que saciem a sua vontade de ser feliz e de conquistar os seus espaços?
Que tal começar agora a escrever a sua história de 2017 como uma mulher verdadeiramente empoderada? Que tal começar por dizer e acreditar que você é boa o suficiente; que merece e quer ser feliz; que o seu sucesso depende de você; que quando você mudar, tudo e todos vão mudar também.
Pode acreditar, amiga! A minha história mudou e as minhas relações mudaram. Sou autora e adoro escrever o livro da minha vida. Ser empoderada é saber fazer escolhas. Por isso, para começar 2017, sugiro que você escreva numa folha de papel, tudo que você quer preservar e manter na sua vida (as coisas materiais ou não), tudo que quer eliminar definitivamente, tudo que deseja e merece receber e tudo que quer doar. Limpe seu armário, sua casa e sua mente. Purifique-se e se transforme numa nova mulher. Olhe-se no espelho e diga: Eu me amo, eu me respeito, eu mereço ser feliz.
por Cris Ferreira | out 25, 2016 | Artigos
Nós, mulheres, somos a mola propulsora para o Futuro Global Sustentável e somos diferentes dos homens. Se desejamos progredir, avançar e impulsionar uma sociedade a verdadeiras mudanças e evolução, não me interessa falar em igualdade de gênero, mas sim em igualdade de DIREITOS HUMANOS, respeitadas as diferenças de gênero. Assim o Paragrafo 1 do artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reza que “Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Então, não há que se falar em igualdade de gênero, uma vez que homens e mulheres jamais serão iguais, respeitadas as suas diferenças. Se a questão é semântica, sugiro que mudemos o termo para ISONOMIA DE GÊNERO. ”Isonomia é o princípio de que todas as pessoas são regidas pelas mesmas regras, da condição de igualdade. Enquanto princípio jurídico, é a igualdade entre todos os cidadãos, independentemente de classe, raça, gênero, opção religiosa ou política, etc …” Fonte: https://www.significados.com.br/?s=isonomia
É isso mesmo que quero dizer. Não se assuste e fique à vontade para discordar, mas antes gostaria que refletisse comigo sobre algumas questões e sobre empoderamento feminino. A primeira vez que disse isso e, desde então sempre que repito essa frase, a polêmica está instalada. Entretanto, defendo primeiramente o valor das diferenças de gênero. Algumas coisas, a vida vem me ensinando e a minha formação e experiência como Coach têm reforçado os importantes pilares e valores do Coaching. Um dos principais e mais significativos é o respeito às diferenças.
Primeiro, quero deixar claro que sou feminista, sim, e, por isso, venho refletir sobre o valor semântico de “Igualdade de gênero” e se igualdade, que pressupõe ausência de diferença, é a palavra mais adequada para o contexto atual. Entre as definições de feminismo, a maioria converge para a de que “Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens”. Observe que o conceito é de Igualdade de DIREITOS. Por outro lado, igualdade de gênero pressupõe que homens e mulheres sejam iguais e isso jamais será possível.
Nós, homens e mulheres, independentemente da opção sexual, somos inegavelmente diferentes nos aspectos fisiológicos, biológicos e hormonais. A começar pelos órgãos genitais e o sistema reprodutivo, temos características completamente diferentes. O homem tem o famoso pomo-de-adão que faz com que sua voz seja mais grossa, têm mais pelo no corpo, traços mais grossos e fortes e são mais musculosos. Isso sem falar no aspecto hormonal e na produção de estrógeno e progesterona nas mulheres e testosterona nos homens que os diferenciam física e até comportamentalmente.
Culturalmente os nossos mapas mentais (mindset), do homem e da mulher, são diferentes com variações influenciadas pela cultura de cada região ou país, mas indiscutivelmente homens e mulheres têm respostas emocionais e até reações mentais diferentes. Há culturas que valorizam a monogamia, por exemplo, e outras que aceitam o poligamia.
No que diz respeito às diferenças cerebrais, cientistas descobriram que há diferenças neurofisiológicas e anatômicas no cérebro de homens e mulheres. “As diferenças de gênero já se manifestam desde alguns meses após o nascimento, quando a influência social ainda é pequena. Por exemplo, Anne Moir e David Jessel, em seu controverso e admirável livro “Brain Sex” (“O sexo do cérebro”), oferecem explicações para essas diferenças precoces nas crianças.” Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n11/mente/eisntein/cerebro-homens-p.html
Historicamente, as mulheres eram proibidas de participarem de eventos como as Olimpíadas e até de assistirem aos jogos. Houve momentos em que as mulheres precisavam desenvolver características e até passarem por transformações, inclusive, físicas para ficarem iguais aos homens com o objetivo de chegarem a lugares ou posições que jamais chegariam se preservassem ou até potencializassem os traços femininos. Na Grécia antiga, Kallipateria, mãe de Pisidoros, se fez passar por homem e o técnico do time de boxe do filho a levou à vitória. Nos atuais jogos olímpicos, as mulheres ja participam de todos os esportes. Avançamos e temos avançado nas conquistas e espaços ocupados por mulheres. Entretanto, em todas as categorias de esportes as modalidades são femininas e masculinas por respeitarem e entenderem as diferenças fisiológicas de cada gênero. Não há dúvida de que a mulher com treino e até ingestão de certos hormônios possa ficar mais parecida com o homem. Assim como não há dúvida de que o homem ou a mulher transexuais possam ficar cada vez mais iguais ao gênero que escolherem, mas ainda assim diferenças hormonais, cerebrais e até fisiológicas serão preservadas em maior ou menor grau ou dosagem.
A discussão que se faz necessária a partir desses argumentos dos quais torno-me porta voz com o objetivo de levar a uma reflexão sobre o verdadeiro papel da mulher em todas as esferas da sociedade é a de que, no que diz respeito a gênero, há que se falar e defender as diferenças. O que devemos lutar é pelos direitos humanos, como, por exemplo, salários iguais para funções iguais e, por outro lado, devemos lutar para que nossas diferenças sejam respeitadas e garantam nossos direitos enquanto seres humanos, como por exemplo os 5 anos de diferença na aposentadoria, respeitando as diferenças fisiológicas, as transformações e o tempo que a mulher “perde” com a gestação, a maternidade, a dupla e até tripla jornada de trabalho.
A questão é: a verdadeira transformação que se faz necessária numa era pós-industrial, na era digital, que já ultrapassou a era industrial, da força e do poder masculinos vai acontecer e ser sustentável se continuarmos lutando por Igualdade de Gênero ou é hora de lutarmos para que nossas diferenças sejam respeitadas e entendidas como completares aos homens? Será que não é necessário entender as diferenças de gênero para lutarmos pela integridade, segurança e dignidade da mulher? Será que o discurso sobre igualdade de gênero não causa um equivoco semântico e, consequentemente, cultural que leva as pessoas a ridicularizarem os movimentos feministas por entenderem que feministas são mulheres que querem ser exatamente iguais aos homens? Será que não precisamos educar homens que respeitem as mulheres e as tratem com a delicadeza que lhes é peculiar sem admitir qualquer tipo de violência? Será que não está na hora de assumirmos o protagonismo e a autoria da nossa história sem nos vitimizarmos e colocarmos a culpa num sistema machista, mas sim, contribuirmos na construção de uma cultura que valorize a mulher e puna qualquer tipo de assédio ou agressão? Será que a verdadeira IGUALDADE DE DIREITOS só vai acontecer de fato quando lutarmos pela preservação dos direitos que nos iguala por sermos diferentes? Será que abriremos mão do direito humano universal de liberdade que dá às mulheres, o direito se vestirem diferente do homem e escolherem se querem usar saia longa, curta ou micro e não serem obrigadas a usarem calças compridas sob pena de serem estupradas?
Características fundamentalmente femininas podem ser as propulsoras dessa sustentabilidade global. O momento histórico é outro e os valores femininos parecem ser mais essenciais no que diz respeito ao desenvolvimento não só humano, mas também social e econômico. “O sociobiólogo, Edward O. Wilson, da Universidade de Harvard, afirmou que as mulheres tendem a ser melhores que os homens em empatia, em habilidades verbais, sociais e de proteção, dentre outras. As mulheres são melhores que os homens em relações humanas, em reconhecer aspectos emocionais nas outras pessoas e na linguagem, na expressão emocional e artística, na apreciação estética, na linguagem verbal e na execução de tarefas detalhadas e pré-planejadas. Gestores de corporações e até políticos já estão entendendo que essas são habilidades necessárias para uma gestão de resultados.
“Temos direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de ser diferentes quando a desigualdade nos descaracteriza”. (Boaventura Souza Santos)