por Cris Ferreira | jan 18, 2017 | Artigos
Imagine que você ocupa um cargo para o qual foi contratado por tempo determinado. Antes do prazo terminar, você envia uma mensagem para seu superior e lhe pede uma reunião para discutirem a sua saída e a definição de quem assumiria sua posição. Entretanto, o seu superior não se manifesta, não lhe sinaliza qualquer intenção nem nome. Vocês conversam pessoalmente, mais uma vez, você expressa a necessidade de marcarem uma reunião o quanto antes. Seu superior lhe pede que passe as festas de final de ano e promete lhe contatar no inicio do próximo ano. Entretanto, logo na segunda semana do ano, você é surpreendido com um post no facebook daquele que seria seu sucessor já informando que havia tomado posse de seu cargo. Você confere todos os seus emails, seu whatsapp, msn, messenger, ligações telefônicas para se certificar de que realmente não foi oficialmente afastado do cargo.
Essa história parece a cena de uma novela, mas acontece na vida real. Estamos vivendo um momento de muito questionamento da população brasileira, em especial, sobre a conduta e postura de nossas lideranças. Os veículos de comunicação se ampliaram e não há mais quaisquer desculpas que nos permitam dizer que não houve como contatar uma pessoa. É perceptível que as pessoas têm evitado contatos presenciais e o famoso olho no olho. Não são raros os casos em que as pessoas conseguem se comunicar ou se expressar pelas redes sociais, mas apresentam um estado quase catatônico quando estão frente à frente com alguém. Mas, definitivamente, qualquer tipo de omissão, atitude não ética ou conduta inadequada por parte de um líder não pode e não é mais aceita.
Segundo o autor e conferencista, John Maxwell, no seu livro os “Os 5 níveis da liderança”, o líder é seguido e respeitado pelos seus colaboradores de forma diferente dependendo de em qual degrau dessa liderança ele está. Para ele, o primeiro degrau é o degrau “Posição” no qual a palavra chave é Direito. Se o líder está neste degrau, as pessoas só o seguem porque ele tem um crachá, um cargo, uma posição. Essa pessoa não é necessariamente respeitada nem admirada porque o respeito está ligado apenas à sua posição. Assim, este líder também terá junto a si as piores pessoas do mercado. Pessoas que têm como única motivação o que lhes trará benefícios próprios ou até mesmo um salário no final do mês.
No segundo degrau da liderança, a palavra-chave é relacionamento e o degrau é o degrau da “Permissão”. Neste degrau, as pessoas seguem o líder porque ele desenvolveu relacionamento e empatia com seus coordenadores. As pessoas o seguem porque desejam e porque o líder os influencia e os cativa com o relacionamento e confiança que construiu. O terceiro degrau é o da “Produção”. Estes líderes estão na posição que estão porque fizeram acontecer e atingiram resultados para a empresa. Seus colaboradores estão com ele porque tem um apurado senso de comprometimento com os resultados e se sentem coparticipantes. Este é um líder que está verdadeiramente junto da sua equipe.
O quarto nível é o nível do “Desenvolvimento de Pessoas”. O líder que alcança este degrau ja passou pelo degrau da produção e entende que sua hora de desenvolver pessoas e até de formar sucessores. O maior ativo da empresa para estes líderes são as pessoas e entendem que quando o foco deixa de ser apenas o resultado e passa a ser o desenvolvimento das pessoas, o resultado consequentemente passa a ser bem maior. E poucos líderes conseguem atingir o último degrau da liderança que é o “Ápice”. A palavra-chave desse nível de liderança é Respeito. Este líder é seguido por ter construído um história baseada na ética, no compromisso, no respeito às leis e às pessoas, no cuidado, na retidão, na transparência e no amor ao seu trabalho, à organização e, acima de tudo, às pessoas. Estes líderes são admirados porque têm uma carga de experiência acumulada. São pessoas que deixam um legado que transcende sua passagem pelas incorporações ou instituições. São líderes que elevam as pessoas a patamares mais elevados e transformam positivamente as pessoas.
O caso deste líder que usa sua posição e seu cargo arbitrariamente sem ter o menor respeito pelo profissional e ser humano, sem respeitar a ética e sem seguir os trâmites legais ou as condutas organizacionais é típico de um líder que usa sua posição para passar por cima de quem estiver no seu caminho. O colaborador que só teve conhecimento que não mais ocupava aquele cargo pelo Facebook usou a mesma ferramenta para entregar seu cargo ao seu superior. O que muda em tempos de redes sociais e da democratização da informação é que as pessoas, todas elas, também se apropriam destes meios para se expressarem. Os fatos saem para o lado de fora dos muros das organizações e as práticas que tentam ser feitas às escuras, sem transparência e sem a comunicação adequada caem na rede e se viralizam.
Em qual degrau você quer estar? Quais são os caminhos que quer trilhar e qual o legado quer deixar na sua vida profissional e na sua passagem por este planeta? A escolha e a forma como conduz as suas relações são todas suas.
por Cris Ferreira | jan 17, 2017 | Artigos
Auto quer dizer próprio, si mesmo, que está ligado ao eu. Em inglês, self. Na psicologia, o self pode ser consciente ou inconsciente. Self é o ego, a personalidade, o eu, o indivíduo. O psiquiatra e psicoterapeuta, Carl Gustav Jung, definiu Self como sendo o arquétipo central do indivíduo, é o centro da psique.
Já a palavra sabotagem tem origem francesa. Diz-se que a palavra vem de “sabot”, palavra francesa que dá nome a um sapato com sola de madeira, um tamanco. Uma versão não confirmada historicamente, mas pelo menos curiosa, é a de que durante as disputas trabalhistas na Europa no início do século XX, os trabalhadores jogavam os tamancos nas máquinas para estragá-las e interromper a produção.
Autossabotagem é, portanto, a capacidade que temos, consciente ou inconsciente de estragarmos a nós mesmos, ou seja, atitudes que tomamos ou deixamos de tomar que nos prejudicarão inevitavelmente. Uma das mais comuns manifestações de autossabotagem é a procrastinação, o deixar sempre para depois o que deveria ser feito aqui e agora. A procrastinação é por si uma forma de nos auto prejudicarmos e que acarreta, muitas vezes, consequências sérias e prejuízos materiais e imateriais. Quando você não paga uma conta que deveria pagar por preguiça ou desorganização, por exemplo, vai acabar tendo que pagá-la com juros e correção e, em alguns casos, ter até o serviço interrompido.
Um exemplo típico e fácil de entender é a famigerada dieta. Eu sei que preciso emagrecer, que me sinto mais disposta, mais bonita, com a autoestima mais elevada quando emagreço, mas não faço a dieta, assalto a geladeira de madrugada, digo a mim mesma que será a última vez que comerei aquele generoso bolo de chocolate e que começarei na segunda-feira. Chega a segunda-feira, e não resisto ao file à parmegiana com bastante muçarela servido no almoço.
Nas minhas práticas como Coach e treinadora de líderes de empresas de todos os portes, tenho me deparado com pessoas que não entendem porque algumas não crescem e não avançam na carreira enquanto outras têm uma jornada invejável de crescimento e ascensão. Em primeiro lugar, o que observo empiricamente é que as pessoas se auto enganam e se autossabotam contando histórias para si mesmas que as convencem não serem tão merecedoras ou que lhes apontam muito mais perdas do que ganhos.
Certa vez, me deparei com um rapaz analista de uma multinacional, extremamente dedicado e competente no seu ofício. Como trabalhava para uma multinacional sabia que para ascender precisaria estudar inglês e ficar mais fluente. Teve inclusive a oportunidade de fazer o curso na própria empresa, mas informou ao chefe que no horário das aulas, que eram apenas duas vezes na semana, teria que levar os filhos na escola, sem pensar em nenhuma outra alternativa possível, como por exemplo, levá-los um pouco mais cedo. Dedicado aos seus afazeres, nunca arrumou tempo para se aperfeiçoar, fazer uma pós-graduação, cursos de extensão, nada que o qualificasse mais e lhe permitisse galgar caminhos que o levassem a estágios mais elevados. Sentia-se pouco valorizado porque via pessoas mais novas de casa que ele sendo promovidas.
Em uma determinada ocasião, surgiu a vaga que desejava. Deveria atualizar seu curriculum e aplicar para a vaga. Todos os dias, aparecia uma desculpa nova e só conseguiu sentar para reescrever o CV na véspera do prazo que deveria entregá-lo. No dia da entrevista, passou mal com uma terrível diarreia e não compareceu.
Este é um caso típico de autossabotador. Consciente e inconscientemente, ele fez de tudo para que a promoção não chegasse a ele. O desejo que dizia ter de ascender na carreira e dentro da empresa é infinitamente menor ao medo da mudança. Inconscientemente, o medo da perda de certas amizades e relacionamentos; medo da perda de tempo livre; medo das novas responsabilidades, etc.
Portanto, eliminar o autossabotador que há em nós requer trazer à consciência o que nos aflige e nos ameaça. Nos autoconhecer e fazer perguntas a nós mesmos é um bom começo para nos libertarmos destas amarras. Observe qual é ou quais são as histórias que você conta a si mesmo. Que tanto verdadeiramente deseja o que deseja. Sou capaz de apostar que tudo que realmente desejou na vida, realizou vencendo todo e qualquer obstáculo.
Não jogue o tamanco na máquina que lhe dará o sustento que tanto precisa. Seja feliz e honesto com você mesmo em primeiro lugar.
por Cris Ferreira | nov 23, 2016 | Artigos
Calma! Não precisa ficar brava e me dizer que eu não entendo a realidade de muitas mulheres que são vítimas de todo tipo de violência ou que não estou querendo enxergar nem ser empática com milhares de mulheres que são assediadas, desrespeitadas ou violentadas.
Em primeiro lugar, quero que saiba que pessoalmente já sofri todo tipo de violência, emocional, psicológica, moral e até física. E é por isso que me sinto à vontade para lhe dizer que sair do papel de vítima pode ser difícil, mas é vital não só para você, mas para as pessoas que convivem com você e te amam. Muitas de nós não conseguem enfrentar ou se livrarem de relações ou sentimentos que as aprisionem e precisam de ajuda de profissionais como terapeutas ou coaches. Não aceitar o papel de vítima é uma decisão que exige coragem, determinação, quebra de crenças e paradigmas, autoconhecimento e um alta dosagem de autoestima.
Comece avaliando suas crenças. No que é que você acredita? Você acha que não é boa o suficiente, que precisa do outro para ser feliz, que so será feliz o dia em que o outro mudar, que precisa atender as necessidades do outro antes das suas, que felicidade não é coisa para você…? As crenças são poderosas destruidoras da nossa autoestima e reforçá-las nos enfraquece cada vez mais, nos colocando no lugar da oprimida.
Mas, há também o outro lado da vitima. Aquela que está na zona de conforto e ser vítima lhe deixa ainda mais confortável porque justifica todas as suas mazelas, sofrimento e “má” sorte pelo que o outro faz ou pelo que o Universo conspira. Nesse perfil, estão aquelas pessoas que têm crenças do tipo: na minha empresa os homens não deixam as mulheres crescerem, o meu companheiro não gosta que eu trabalhe até tarde, o Brasil é um pais muito machista e mulher não tem chance, por mais que eu trabalhe nenhum homem vai me promover. Acreditar nessas coisas tira da vítima qualquer possibilidade de transformação e mudança. Ai, ela não toma nenhum tipo de atitude para mudar a sua realidade.
Um dos casos mais emblemáticos e importantes na história de violência e de uma mulher que só conseguiu transformar a sua história e de milhares de outra é o da farmacêutica cearense, Maria da Penha Maia Fernandes, que viveu anos sendo violentamente agredida pelo seu companheiro. Numa luta incansável, quando decidiu não mais aceitar o papel de vitima e que deveria tomar as rédeas daquela situação que chegou a deixá-la paraplégica, Maria da Penha conseguiu que seu ex-companheiro fosse condenado a 8 anos de prisão e foi quem inspirou a criação da lei que leva seu nome e que aumenta o rigor das punições sobre crime domésticos. Maria da Penha é uma mulher de 71 anos de idade, símbolo daquela que se empoderou, conquistou autoestima e ocupou os espaços através de sua própria luta.
Combater as crenças que te enfraquecem, te colocam em situação de inferioridade e façam com que você aceite muito menos que merece é o primeiro passo para as suas conquistas. O primeiro passo é o caminho do autoconhecimento. Você já se perguntou se quer ser vítima ou autora da sua vida? Que autoridade você tem para decidir que caminho tomar? Você tem capacidade de transformar todas essas crenças limitantes em crenças poderosas e crenças de fonte que saciem a sua vontade de ser feliz e de conquistar os seus espaços?
Que tal começar agora a escrever a sua história de 2017 como uma mulher verdadeiramente empoderada? Que tal começar por dizer e acreditar que você é boa o suficiente; que merece e quer ser feliz; que o seu sucesso depende de você; que quando você mudar, tudo e todos vão mudar também.
Pode acreditar, amiga! A minha história mudou e as minhas relações mudaram. Sou autora e adoro escrever o livro da minha vida. Ser empoderada é saber fazer escolhas. Por isso, para começar 2017, sugiro que você escreva numa folha de papel, tudo que você quer preservar e manter na sua vida (as coisas materiais ou não), tudo que quer eliminar definitivamente, tudo que deseja e merece receber e tudo que quer doar. Limpe seu armário, sua casa e sua mente. Purifique-se e se transforme numa nova mulher. Olhe-se no espelho e diga: Eu me amo, eu me respeito, eu mereço ser feliz.
por Cris Ferreira | out 25, 2016 | Artigos
Nós, mulheres, somos a mola propulsora para o Futuro Global Sustentável e somos diferentes dos homens. Se desejamos progredir, avançar e impulsionar uma sociedade a verdadeiras mudanças e evolução, não me interessa falar em igualdade de gênero, mas sim em igualdade de DIREITOS HUMANOS, respeitadas as diferenças de gênero. Assim o Paragrafo 1 do artigo 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reza que “Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Então, não há que se falar em igualdade de gênero, uma vez que homens e mulheres jamais serão iguais, respeitadas as suas diferenças. Se a questão é semântica, sugiro que mudemos o termo para ISONOMIA DE GÊNERO. ”Isonomia é o princípio de que todas as pessoas são regidas pelas mesmas regras, da condição de igualdade. Enquanto princípio jurídico, é a igualdade entre todos os cidadãos, independentemente de classe, raça, gênero, opção religiosa ou política, etc …” Fonte: https://www.significados.com.br/?s=isonomia
É isso mesmo que quero dizer. Não se assuste e fique à vontade para discordar, mas antes gostaria que refletisse comigo sobre algumas questões e sobre empoderamento feminino. A primeira vez que disse isso e, desde então sempre que repito essa frase, a polêmica está instalada. Entretanto, defendo primeiramente o valor das diferenças de gênero. Algumas coisas, a vida vem me ensinando e a minha formação e experiência como Coach têm reforçado os importantes pilares e valores do Coaching. Um dos principais e mais significativos é o respeito às diferenças.
Primeiro, quero deixar claro que sou feminista, sim, e, por isso, venho refletir sobre o valor semântico de “Igualdade de gênero” e se igualdade, que pressupõe ausência de diferença, é a palavra mais adequada para o contexto atual. Entre as definições de feminismo, a maioria converge para a de que “Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens”. Observe que o conceito é de Igualdade de DIREITOS. Por outro lado, igualdade de gênero pressupõe que homens e mulheres sejam iguais e isso jamais será possível.
Nós, homens e mulheres, independentemente da opção sexual, somos inegavelmente diferentes nos aspectos fisiológicos, biológicos e hormonais. A começar pelos órgãos genitais e o sistema reprodutivo, temos características completamente diferentes. O homem tem o famoso pomo-de-adão que faz com que sua voz seja mais grossa, têm mais pelo no corpo, traços mais grossos e fortes e são mais musculosos. Isso sem falar no aspecto hormonal e na produção de estrógeno e progesterona nas mulheres e testosterona nos homens que os diferenciam física e até comportamentalmente.
Culturalmente os nossos mapas mentais (mindset), do homem e da mulher, são diferentes com variações influenciadas pela cultura de cada região ou país, mas indiscutivelmente homens e mulheres têm respostas emocionais e até reações mentais diferentes. Há culturas que valorizam a monogamia, por exemplo, e outras que aceitam o poligamia.
No que diz respeito às diferenças cerebrais, cientistas descobriram que há diferenças neurofisiológicas e anatômicas no cérebro de homens e mulheres. “As diferenças de gênero já se manifestam desde alguns meses após o nascimento, quando a influência social ainda é pequena. Por exemplo, Anne Moir e David Jessel, em seu controverso e admirável livro “Brain Sex” (“O sexo do cérebro”), oferecem explicações para essas diferenças precoces nas crianças.” Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n11/mente/eisntein/cerebro-homens-p.html
Historicamente, as mulheres eram proibidas de participarem de eventos como as Olimpíadas e até de assistirem aos jogos. Houve momentos em que as mulheres precisavam desenvolver características e até passarem por transformações, inclusive, físicas para ficarem iguais aos homens com o objetivo de chegarem a lugares ou posições que jamais chegariam se preservassem ou até potencializassem os traços femininos. Na Grécia antiga, Kallipateria, mãe de Pisidoros, se fez passar por homem e o técnico do time de boxe do filho a levou à vitória. Nos atuais jogos olímpicos, as mulheres ja participam de todos os esportes. Avançamos e temos avançado nas conquistas e espaços ocupados por mulheres. Entretanto, em todas as categorias de esportes as modalidades são femininas e masculinas por respeitarem e entenderem as diferenças fisiológicas de cada gênero. Não há dúvida de que a mulher com treino e até ingestão de certos hormônios possa ficar mais parecida com o homem. Assim como não há dúvida de que o homem ou a mulher transexuais possam ficar cada vez mais iguais ao gênero que escolherem, mas ainda assim diferenças hormonais, cerebrais e até fisiológicas serão preservadas em maior ou menor grau ou dosagem.
A discussão que se faz necessária a partir desses argumentos dos quais torno-me porta voz com o objetivo de levar a uma reflexão sobre o verdadeiro papel da mulher em todas as esferas da sociedade é a de que, no que diz respeito a gênero, há que se falar e defender as diferenças. O que devemos lutar é pelos direitos humanos, como, por exemplo, salários iguais para funções iguais e, por outro lado, devemos lutar para que nossas diferenças sejam respeitadas e garantam nossos direitos enquanto seres humanos, como por exemplo os 5 anos de diferença na aposentadoria, respeitando as diferenças fisiológicas, as transformações e o tempo que a mulher “perde” com a gestação, a maternidade, a dupla e até tripla jornada de trabalho.
A questão é: a verdadeira transformação que se faz necessária numa era pós-industrial, na era digital, que já ultrapassou a era industrial, da força e do poder masculinos vai acontecer e ser sustentável se continuarmos lutando por Igualdade de Gênero ou é hora de lutarmos para que nossas diferenças sejam respeitadas e entendidas como completares aos homens? Será que não é necessário entender as diferenças de gênero para lutarmos pela integridade, segurança e dignidade da mulher? Será que o discurso sobre igualdade de gênero não causa um equivoco semântico e, consequentemente, cultural que leva as pessoas a ridicularizarem os movimentos feministas por entenderem que feministas são mulheres que querem ser exatamente iguais aos homens? Será que não precisamos educar homens que respeitem as mulheres e as tratem com a delicadeza que lhes é peculiar sem admitir qualquer tipo de violência? Será que não está na hora de assumirmos o protagonismo e a autoria da nossa história sem nos vitimizarmos e colocarmos a culpa num sistema machista, mas sim, contribuirmos na construção de uma cultura que valorize a mulher e puna qualquer tipo de assédio ou agressão? Será que a verdadeira IGUALDADE DE DIREITOS só vai acontecer de fato quando lutarmos pela preservação dos direitos que nos iguala por sermos diferentes? Será que abriremos mão do direito humano universal de liberdade que dá às mulheres, o direito se vestirem diferente do homem e escolherem se querem usar saia longa, curta ou micro e não serem obrigadas a usarem calças compridas sob pena de serem estupradas?
Características fundamentalmente femininas podem ser as propulsoras dessa sustentabilidade global. O momento histórico é outro e os valores femininos parecem ser mais essenciais no que diz respeito ao desenvolvimento não só humano, mas também social e econômico. “O sociobiólogo, Edward O. Wilson, da Universidade de Harvard, afirmou que as mulheres tendem a ser melhores que os homens em empatia, em habilidades verbais, sociais e de proteção, dentre outras. As mulheres são melhores que os homens em relações humanas, em reconhecer aspectos emocionais nas outras pessoas e na linguagem, na expressão emocional e artística, na apreciação estética, na linguagem verbal e na execução de tarefas detalhadas e pré-planejadas. Gestores de corporações e até políticos já estão entendendo que essas são habilidades necessárias para uma gestão de resultados.
“Temos direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de ser diferentes quando a desigualdade nos descaracteriza”. (Boaventura Souza Santos)
por Cris Ferreira | set 28, 2016 | Artigos
Uma pesquisa realizada em 2013 pelo jornal inglês, Sunday Times, revelou que os maiores medos das pessoas são: falar em público (41%), desequilíbrio financeiro (21%) e de morrer (19%). Particularmente, não me incluo no grupo que tem medo de falar em público porque, quem me conhece sabe bem que, falar para meus alunos em sala de aula ou para qualquer tamanho de plateia quando dou uma palestra é um dos meus maiores prazeres na vida.
O desequilíbrio financeiro é realmente um grande receio, mas receá-lo não resolve absolutamente nada. Ao contrário, mudar de atitude, tomar decisões diferentes, quebrar paradigmas podem equilibrar a balança da sua realidade financeira e, muitas das vezes, até em curtíssimo prazo.
Da morte, não tenho o menor medo. Esta é a única certeza e verdade absoluta na qual acredito e, desde que tive o diagnóstico de Esclerose Múltipla, potencializei ainda mais a minha percepção do aqui e agora. Viver cada dia como um presente tem me tornado uma pessoa mais grata e feliz. Medo da morte não tenho, mas tenho pena! Sinto muito se morrer cedo porque adoraria viver como minha amada avó que do alto dos seus 92 anos é uma das pessoas mais lúcidas e saudáveis que conheço.
Porém tenho um medo que ainda não trabalhei em nenhuma sessão de análise e hoje especialmente veio à tona com uma mensagem do whatsapp de um amigo. Meu grande medo e, talvez até o maior de todos, é de ser uma pessoa inconveniente, invasiva, “una persona non grata”. Por algum motivo que realmente não sei qual é, sinto muito quando percebo que estou incomodando ou que não sou bem-vinda em algum lugar ou por algumas pessoas.
Obvio que não é possível ser aceita, querida ou amada por todos. Nem Jesus Cristo conseguiu este feito, não é? Nesta semana, enviei uma mensagem para algumas pessoas pelo whatsapp às 7h00. Provavelmente, muitas ficaram putas com minha mensagem, mas apenas uma me disse: “Nunca acordo antes das 7h30 e não fico de bom humor quando me acordam com mensagens. Não faz mais isso, porra!”. Uauuuu! Num primeiro momento, foi como se tivesse levado um forte tapa na cara. Senti uma dor e um incômodo terríveis.
Não imaginava que pudesse estar causando um mal ou desconforto tão grande a uma pessoa e ainda mais deixando o início da semana dela desagradável. Imediatamente, me desculpei e pedi perdão. Sinceramente, não queria ter incomodado aquela pessoa ou quem quer que fosse. Num segundo momento, entretanto, refleti sobre o fato e fiquei pensando mais uma vez sobre o poder das escolhas. Quando escrevi o artigo, Sou Múltipla porque não sou esclerosada, abordei exatamente este tema e fiquei imensamente realizada quando tive a notícia de que tinha sido o artigo mais lido do mês de setembro da Fanpage da Cloud Coaching.
O artigo trata exatamente do poder das escolhas e agora, pensando sobre a fala do meu amigo, vejo o quanto não tomamos a rédea de situações mais elementares, não nos apropriamos das ferramentas que temos a ponto de fazê-las trabalhar a nosso favor para não nos incomodar e não fazermos as escolhas conforme as nossas vontades. Se a pessoa sabe que fica de mal humor com mensagens que podem chegar a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada, ela pode facilmente desligar o acesso aos aplicativos.
No Iphone, basta ir em Ajustes, Dados do Celular e desligar o acesso ao whatsapp, por exemplo. Você pode bloquear todos os dias à noite e liberar no dia seguinte. As mensagens que lhe forem enviadas de madrugada não lhe incomodarão e, ao desbloquear, todas chegarão e você poderá abrir e ler as que desejar. Em outros aparelhos, acredito que o procedimento é o mesmo. Fato é que mais uma vez, reforço a minha convicção do quanto é importante termos consciência do poder que temos sobre absolutamente TUDO o que nos faz bem ou não.
A partir do autoconhecimento, ou seja, de reconhecer o que sou e o que não sou, o que gosto e o que não gosto, o que me faz bem e o que não me faz bem, torno-me apta a fazer escolhas e tomar decisões a meu favor. A grande pergunta é: qual o poder que tenho sobre as minhas escolhas e qual o poder tenho sobre a ação do outro? Parece-me que respondê-la faz toda a diferença. Neste caso, especificamente, quantas vezes vou me aborrecer com as pessoas que me mandam mensagens equivocadas ou indesejadas?
Mas, se tenho o controle sobre o meu celular, vou fazer a gestão de uso dele de forma que sirva exclusivamente a mim, aos meus interesses e ao meu bem-estar. Claro que não é possível controlar e prevenir todos os aborrecimentos da vida e eles nos ensinam muito, mas uma vez aprendida a lição como nesse caso, posso controlar os horários que deixarei meu whatsapp aberto, posso bloquear as pessoas com as quais não desejo esse tipo de contato… enfim, posso administrar a minha felicidade e os meus aborrecimentos.
Ter o poder de fazer com que as “coisas” nos sirvam e não nos tornarmos “escravos” delas é o mais legitimo e significativo poder. Quero dizer ao meu amigo que adorei a intervenção dele porque poucas são as pessoas sinceras e que têm coragem de dizer o que sentem. Apesar de ter ficado triste, principalmente comigo mesma por ter-lhe aborrecido, foi uma lição que eu já sabia, mas não praticava com tamanha ética e responsabilidade. Observar o comportamento e as mudanças que as redes sociais e, em especial, o whatsapp têm me causado interesse particularmente.
Hoje, reforço meu entendimento de que mensagens não urgentes, não importantes e, principalmente, propagandas devem ser enviadas dentro de horário comercial. Por isso, adotarei a partir de agora, a política de enviar somente no período das 8h00 às 19h00. E a gratidão… como me faz bem! Essa é talvez a melhor escolha que faço diariamente.
Termino esse artigo sentindo uma gratidão enorme pelo meu amigo que fez despertar para aquilo que pode ser incômodo para tanta gente, gratidão por me fazer rever as minhas práticas, gratidão por me fazer numa manhã de segunda-feira repensar sobre minhas próprias escolhas, sobre meus relacionamentos, sobre os meus verdadeiros desejos. Obrigada, meu querido amigo. Espero que você até me silencie por algumas horas na sua madrugada, mas que eu jamais me torne uma “persona non grata” que você bloqueie.
por Cris Ferreira | ago 31, 2016 | Artigos
O médico canadense Gabor Maté é um especialista em doenças terminais, especialmente drogadição e HIV, e autor de livros que tratam de deficit de atenção, estresse, desordem e doenças crônicas. Em sua palestra para o TED Talk, intitulada “O poder do vício e vício pelo poder”, ele tratou de um tema que tanto me interessa e sobre o qual tenho escrito, estudado, palestrado e dado cursos: o empoderamento.
Empoderamento é uma palavra que ainda não encontramos nos dicionários brasileiros, vem de Empowerment do inglês, e não raras são as vezes que percebo as pessoas virarem a cara ou não entenderem exatamente do que isso se trata. Pior fica a cara quando falamos de empoderamento feminino e os comentários passam sempre para uma certa ridicularização do feminismo. “La vem essa conversa de feminismo”, dizem homens e mulheres que ainda acham que feministas são mulheres que querem se vestir e se comportar como homens. Mais assustador ainda é quando os comentários são do tipo, “lugar de mulher é na cozinha”, ou mais sério e preocupante, quando mesmo diante de um caso de estupro coletivo, várias pessoas tentam justificar o ato no comportamento da mulher estuprada que é julgada pelas roupas que veste ou pela liberdade que tem. Neste sentido, entendo que o empoderamento feminino deve ser a palavra de honra do momento e um coletivo entendimento de que nos empoderaremos quando potencializarmos as competências das mulheres, reconhecendo as nossas diferenças e não repetindo um modelo masculino que não nos cabe.
Na sua fala, o Dr. Maté, diz que “Buda e Jesus foram, ambos, tentados e lhes oferecido o poder. Ambos disseram NÃO porque ambos tinham o poder dentro deles.” Definitivamente, a melhor definição de poder com a qual me deparei e da qual compartilho e acredito desde que comecei a trabalhar com empoderamento feminino. Sócrates dizia, “Conheça a ti mesmo”, ainda um aforismo grego e uma das máximas de Delfos, é na verdade um convite para autoconhecimento numa viagem para o seu eu interior e para que passemos a nos ocupar mais de nós mesmos do que das riquezas, da fama ou do poder como o conhecemos e que está ligado muito mais à capacidade de influenciar através da manipulação moral, intelectual ou econômica e opressão do outro.
Na perspectiva do autoconhecimento, o poder é conquistado quando damos seiva e alimento às raízes que nos sustentam e nos fazem resistir às tempestades, tentações, tribulações que são inerentes à vida de qualquer ser. A diferença entre quem se empodera a partir de um profundo e continuo exercício de potencializar suas virtudes, enxergando as oportunidades que poderá abraçar ao transformar suas fraquezas e limitações em forças e aquele que tem o “vicio pelo poder” a qualquer preço movido por vaidade, ganâncias e uma perversa e desenfreada ambição é o que dará ao primeiro a paz, a felicidade e a sustentabilidade que lhe permitirá fazer as melhores e mais assertivas escolhas. Neste sentido, o empoderamento é sistêmico uma vez que se faz necessária a busca do equilíbrio em todas as áreas de nossas vidas e o trabalho de Coaching é um grande aliado na condução do processo de autoconhecimento. A pessoa verdadeiramente empoderada é aquela que consegue determinar para si mesma quais são os seus padrões e compreende quais são a sua essência e valores.
Na roda da vida, que nos move em direção à plenitude, devemos avaliar, em primeiro lugar, como estão nossas saúdes física, emocional, intelectual, espiritual, financeira, dos nossos relacionamentos, se estamos satisfeitos ou se almejamos algo diferente e o que fazer para atingirmos o patamar que desejamos. Em tempos de redes sociais onde as pessoas se apresentam lindas, ricas, amadas, realizadas e felizes e onde há uma completa e perversa padronização de modelos, na grande maioria das vezes, fictícios que mascaram a realidade e ao contrário de empoderar enfraquecem e até mutilam as pessoas, é urgente que busquemos nos conhecer na nossa essência e no que podemos e queremos ser. Empoderamento está diretamente ligado a uma elevada autoestima, na qual eu me reconheço como única e diferente com virtudes e belezas próprias que não me fazem melhor nem pior que ninguém.
Empoderamento é um processo de autorresponsabilidade e controle sobre nossas vidas. Ter poder é não transferir para o outro a responsabilidade sobre a sua felicidade ou bem-estar, mas assumir a autoria da história que você escreve. Empoderar-se é ter controle financeiro, por exemplo, que lhe garanta tranquilidade para levar a vida que deseja levar; é ter controle emocional que lhe permita enfrentar grandes desafios com equilíbrio, sem desesperos ou descontroles; é cuidar da sua saúde física que lhe garanta a disposição e independência necessárias para realizar as tarefas que precisa ou deseja; é perceber qual é o seu papel em cada um dos seus relacionamentos e torná-los cada vez mais saudáveis e prazerosos dependendo do quanto você se ama, se conhece e se respeita em primeiro lugar sem transferir para o outro a responsabilidade de lhe fazer feliz.
Enquanto olharmos no espelho e perguntarmos a ele: “existe alguém mais bela do que eu”, ele sempre dirá que sim. Sempre haverá uma branca de neve que nos cegará e não nos permitirá enxergar a nossa verdadeira beleza ou uma bruxa que irá nos torturar e nos fazer acreditar que não merecemos o melhor. Empoderar é olhar para o espelho que nos revela a mulher mais bela que somos e podemos ser. É termos a coragem de dizer e acreditar que somos poderosas porque temos o conhecimento de quem somos, onde estamos e uma certa clareza de onde, como, com quem queremos estar. Empodere-se e não tenha medo de dizer: EU SOU PODEROSA! Porque você tem tudo a ver com isso.